Neste mês de agosto, celebramos os 120 anos de um marco na história marista no Brasil: a primeira tomada de hábito em solo brasileiro, realizada no Noviciado de Mendes (RJ), em 15 de agosto de 1905, festa da Assunção de Maria.
A capela de Mendes foi testemunha de um acontecimento que emocionou toda a comunidade: três jovens postulantes, conhecidos e conviventes do dia a dia dos alunos, vestiram pela primeira vez o hábito marista. O clima era de novidade e esperança. Os estudantes, tomados pela curiosidade, acompanharam atentos cada gesto, cada palavra. Alguns não contiveram as lágrimas ao verem seus colegas transformados em Irmãos maristas.
O rito, simbólico e litúrgico, foi marcado pelo canto do In exitu Israel, que ressoava como um hino de travessia. Aqueles jovens, renunciando ao brilho efêmero do mundo, passavam do “deserto” para a “Terra Prometida” de uma vida entregue a Deus e consagrada a Maria.
Ao receberem o hábito religioso e um novo nome, sinal de que o mundo antigo ficava para trás, os noviços eram consagrados à Santíssima Virgem. O celebrante invocou sobre eles o orvalho fecundo das bênçãos de Deus, concluindo a cerimônia com o canto do Sub tuum praesidium, súplica confiada à Mãe de Jesus.
No fim, a alegria contagiava toda a comunidade: abraços, lágrimas, cânticos e a certeza de que algo grandioso havia nascido ali. Naquele 15 de agosto, nascia oficialmente o Noviciado de Mendes, casa de formação que seria berço de muitas vocações e pilar para o futuro da Província Marista do Brasil Central.
Não foi um caminho fácil. Como recordam os anais, os primeiros anos exigiram paciência e dedicação dos Irmãos formadores, sobretudo diante dos desafios de iniciar um juvenato ainda incipiente. Mas a coragem daqueles três primeiros Irmãos, revestidos do hábito religioso, permanece como sinal de fé, entrega e esperança.
Hoje, ao celebrarmos os 120 anos dessa primeira tomada de hábito, recordamos a semente de uma história vocacional que floresceu, dando frutos em escolas, obras sociais e comunidades espalhadas por todo o Brasil. Mendes se tornou, assim, um marco e um símbolo: lugar onde o carisma de Champagnat se enraizou em nossa terra.