Há 25 anos, os Irmãos Maristas iniciaram a presença missionária em Timor-Leste, após o pedido do bispo da Diocese de Baucau, Dom Basílio do Nascimento, para criar uma instituição de formação de professores. Desde então, a missão se consolidou por meio do Instituto Católico para Formação de Professores (ICFP), da abertura de novas comunidades e do surgimento de vocações locais. A Província Marista Brasil Centro-Norte (PMBCN) também colaborou com o processo, por meio da atuação do Ir. Manoel Soares da Silva, que integrou a missão e compartilha a experiência vivida no país asiático.
“Quando eu fui para o Timor-Leste, era para organizar uma escola que seria construída. Infelizmente, a compra do terreno demorou e fiquei praticamente um ano sem fazer grande coisa. Ao final de 2018, o Irmão da Província Centro-Sul, que dava aulas de português, voltou ao Brasil e eu fui convidado a substituí-lo”, recorda o Ir. Manoel. No ICFP, ele assumiu o desafio de ensinar português a estudantes que conheciam apenas algumas palavras incorporadas ao tétum, língua materna. “Minha experiência como professor da língua portuguesa foi muito gratificante e desafiadora. Os alunos são muito simples e pobres, mas esforçados e respeitosos”, acrescentou.
O Instituto, criado no ano 2000, passou de instalações improvisadas a um centro de referência nacional em educação, com sede própria inaugurada em 2015 com apoio internacional. Nos últimos anos, os Irmãos também se dedicaram à construção da primeira escola marista do país, em Lautém, cuja comunidade foi aberta em 2018.
“A compra do terreno demorou e, logo em 2021, veio a pandemia. Isso atrasou muito a composição da comunidade em Lautém. A construção da escola só teve início em 2023 e foi concluída em 2025. A inauguração se dá agora em setembro, embora os alunos já estejam frequentando suas salas”, relatou o Ir. Manoel.
Outro marco da missão é o florescimento vocacional. Desde 2010, jovens timorenses ingressam na vida marista, impulsionados pelo trabalho de Irmãos formadores e pelo ambiente de missão. “Em 2018, foi concluída a grande casa de formação, ano em que foram enviados os três primeiros jovens para o noviciado nas Filipinas. Hoje, o Timor já conta com 20 jovens Irmãos que emitiram seus primeiros votos. O país desponta como um espaço de muitas vocações”, afirmou.
Apesar do entusiasmo vocacional, os desafios sociais permanecem expressivos. O Ir. Manoel observa que o país enfrenta pobreza estrutural, falta de recursos naturais, escolas sucateadas e ausência de concursos para professores desde a independência.
Com a celebração dos 25 anos, a missão marista em Timor-Leste se mostra enraizada em três frentes: a educação de qualidade pelo ICFP, a formação de novas gerações de Irmãos e a abertura de escolas que oferecem esperança às famílias locais. Como testemunho, o Ir. Manoel resume sua experiência com gratidão e realismo: “Foi um trabalho exigente, mas profundamente enriquecedor. O futuro é incerto, mas a presença marista continua sendo sinal de esperança para aquele povo”.