Na última semana, a Província Marista Brasil Centro-Norte promoveu um encontro entre o Superior-Geral, Ir. Peter Carroll, o conselheiro-geral, Ir. Carlos Alberto Rojas, e jovens Irmãos e formandos. A atividade foi realizada no formato de videoconferência e contou com a presença do superior provincial, Ir. José de Assis Elias de Brito.
No começo do diálogo, os Irmãos foram convidados a refletir sobre a construção de um Novo Hermitage nas comunidades e sobre o compromisso de cada um com o futuro da vida marista.

Ainda na primeira parte da programação, os Irmãos Luiz Carlos Lima, Ir. Fábio Soares e Danilo Silva apresentaram de forma detalhada a estrutura das regionais Norte, Nordeste e Sudeste/Centro-Oeste para a condução da animação vocacional na Província, enfatizando os principais projetos e ações.
“Um grande passo dado foi a organização da Província nessas regionais. Essa estrutura trouxe maior fluidez e desenvolvimento para os processos, nos dando a oportunidade estar presente em mais lugares”, ressaltou Ir. Luiz.
O Irmão destacou que a animação vocacional tem se tornado um forte elemento de cultura marista nas unidades e comunidades, especialmente dada a presença dos grupos específicos com essa finalidade.
“As unidades contam com um grupo de animação vocacional, que variam entre cinco, dez, vinte e até trinta participantes. Além de ser uma pauta prioritária do Governo Provincial, a animação também tem se tornado uma cultura entre nós”, finalizou.

Na sequência, Ir. Fábio Soares apresentou o Conexão Marista, projeto itinerante destinado aos adolescentes e jovens de paróquias e escolas públicas que oferece formações para fortalecer valores humanos, sociais e espirituais.
Na oportunidade, os Irmãos apontaram alguns dos materiais desenvolvidos para qualificar o acompanhamento vocacional: Caminhar com Jovens, Diário Vocacional, Cadernos Vocacionais e Experiência Vocacional. Ao fim da exposição, os Irmãos destacaram a relevância do uso de redes sociais para ampliar cultura vocacional e despertar o interesse de adolescentes e jovens. Durante a fala, citaram as ações de comunicação, como as campanhas conteúdos, eventos e perfil Ser Marista, que contribuem para a consolidação dessa estratégia.
Formação

Dando sequência à agenda, o vice-provincial, Ir. Márcio Henrique Ferreira da Costa, apresentou um panorama da formação na Província Marista Brasil Centro-Norte, a partir do Plano de Formação Inicial da Região América Sul. O Irmão ressaltou detalhes da pedagogia da formação, do itinerário formativo e também os indicadores avaliativos relacionados.
Em resposta ao conteúdo apresentado, o Superior-Geral, Ir. Peter Carroll, parabenizou a Província pelas atividades e projetos desenvolvidos na área de discernimento e vocação.
“O primeiro chamado 23º Capítulo foi construir uma cultura de vocação e isso não é apenas sobre promover vocações. Trata-se da crença de que, como o Irmão Márcio menciona, Deus continua chamando todos para um caminho especial e uma vida com propósito especial. Então, uma cultura de vocação é sobre discernimento, nutrição, escuta, mas também sobre sustentação. A primeira parte da vocação é certamente muito importante, mas a formação continua além dos votos iniciais e a realidade é que precisamos valorizar a vocação em todas as etapas da vida. É por isso que esse chamado à cultura vocacional é tão importante”, pontua.
Na sequência, o conselheiro-geral, Ir. Carlos Alberto Rojas, também comentou sobre o despertar das vocações, sobre uma vida marista de fraternidade e entrega ao Evangelho, e, por fim, sobre a caminhada compartilhada para construção de um mundo melhor.

“É um momento simbólico e profético para a Província Marista Brasil Centro-Norte. Para mim, é uma honra não só acompanhar a visita do Ir. Peter, mas também ser testemunha do futuro da Província. Porque é nas mãos de cada um de vocês que será possível o futuro da vida e da missão marista aqui. Vocês serão o futuro. Já são o presente, mas serão especialmente o futuro, porque todos vocês vão continuar o legado e a herança de Marcelino Champagnat e desta história tão bonita que aconteceu ao longo de mais de duzentos anos”, completou.
Perguntas e respostas

Já na fase final do diálogo, os jovens Irmãos e formandos puderam fazer perguntas ao Superior-Geral.
Confira quais foram as indagações e respostas:
Ir. José Gustavo (Noviciado, Bolívia): O que Ir. Peter pensa em relação às vocações adultas e o que essas vocações dizem em relação a vista marista hoje?
Ir. Peter Carroll: Deus ainda está chamando, e Deus não impõe limites. Quando Ele chama, Ele chama, e precisamos responder. Então, acho que se alguém de trinta e cinco ou quarenta anos está ouvindo esse chamado e quer responder, isso é maravilhoso, isso é maravilhoso. Você responde quando pode. Anos atrás, a experiência dos meus Irmãos mais velhos foi diferente. Muitos de nós éramos jovens e viemos direto da escola, e não há nada de errado nisso.
Portanto, não vejo a idade como algo muito relevante. É o chamado de Deus, e respondemos quando podemos. Também acho que pessoas que tiveram experiências mais amplas em diferentes áreas da vida trazem riqueza para nossa vida marista e para nossa comunidade marista, e devemos estar abertos a isso independentemente da idade.
Isso apresenta um desafio em alguns aspectos para a formação, porque precisamos garantir que estamos respondendo às necessidades de cada indivíduo na formação que está sendo oferecida. Mas é isso que nossos guias de formação vêm dizendo há muitos anos: precisamos focar a formação nas necessidades do indivíduo, dentro das diretrizes, fases e etapas que oferecemos.
Ir. Gilvando Silveira (Noviciado, Bolívia): Hoje percebemos uma preocupação cada vez maior com a saúde mental e emocional, e essa realidade também está presente na vida religiosa. Diante de situações como esgotamento, solidão, ansiedade e dificuldade nas relações, como o Instituto visualiza a questão da saúde mental dos Irmãos?
Ir. Peter: Obrigado pela pergunta. É uma pergunta muito importante. Acho que precisamos olhar para a saúde em um sentido mais amplo, porque saúde mental é um componente do nosso bem-estar geral.
Uma das coisas que precisamos fazer é incentivar os irmãos a serem abertos e honestos sobre sua saúde e a enfrentarem qualquer problema de saúde com confiança, sabendo que, se houver dificuldades, haverá apoio dentro da comunidade e da Província para ajudar a resolvê-las.
Acho que esse é frequentemente o maior desafio, especialmente para os homens. Às vezes, eles não querem admitir que estão carregando problemas, fardos que enfrentam.
Portanto, acredito que devemos simplesmente incentivar os irmãos a serem honestos sobre suas emoções e suas vidas, a buscar ajuda e a terem confiança de que a liderança fornecerá ou facilitará o apoio que precisam.
Lucas Herbert (Vocacionado, Piauí): Nesse final de semana, eu como vocacionado estive presente em um encontro e gostei muito da fala do Irmão Paulinho, que falou sobre utilidade e sentido. Por exemplo: se entramos em uma experiência pela utilidade, devemos permanecer por ter encontrado um sentido. Gostaria que o senhor fizesse essa reflexão sob a perspectiva marista.
Ir. Peter: Acredito que todos nós estamos buscando sentido na vida, e acho que todos querem uma vida com propósito. Às vezes, as pessoas buscam isso de maneiras que podem ser destrutivas, e às vezes buscam significado de formas que enriquecem a vida.
Acho que esse é o tipo de significado e propósito que nossa vida oferece. Obviamente, a maioria das pessoas encontrará seu significado e propósito na vida familiar e na criação dos filhos. Isso é maravilhoso. Mas para aqueles de nós que se sentem chamados para uma vocação religiosa, isso por si só deveria ser o caminho para uma vida de propósito e realização.



