Animadores de Comunidades da Região América do Sul reúnem-se no Peru

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Mais de 70 Irmãos Maristas da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Peru e Uruguai participaram do Encontro de Animadores Comunitários da Região América Sul (RAS), realizado de 30 de abril a 3 de maio, na Villa Marista de Chosica, em Lima (Peru). O evento consolidou-se como espaço privilegiado de comunhão, formação e renovação da vida fraterna, ao reunir lideranças comprometidas com o cuidado da vida comunitária e com a fidelidade à missão marista.

Desde o início, o encontro foi marcado pelo clima de acolhida, espiritualidade e fraternidade. Na oração inicial, de forte simbolismo comunitário, os participantes foram convidados a recordar nominalmente os Irmãos das respectivas comunidades, gesto que reforçou o sentido de pertença e comunhão entre os presentes. As reflexões de abertura destacaram que a fraternidade é, ao mesmo tempo, dom recebido e tarefa assumida, exigindo compromisso cotidiano, confiança mútua e disposição permanente para construir pontes em um mundo marcado por fragmentações.

Ao dirigir-se aos animadores, o superior da Província Marista Brasil Centro-Norte, Ir. José de Assis Elias de Brito, sublinhou que o serviço de animação comunitária é, antes de tudo, um ministério evangélico. Segundo ele, a autoridade, na tradição marista, não se confunde com gestão de estruturas ou controle de processos, mas se expressa como serviço de amor que anima, acompanha e ajuda os Irmãos a viverem unidos em comunidade e fiéis à missão. Para o provincial, “a missão do animador não é manter estruturas, mas cuidar para que a vida não se esvazie dentro delas”.

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Pela PMBCN, participaram 22 Irmãos

Nesse sentido, os superiores provinciais reforçaram que o animador é chamado a ser presença próxima e cuidadora, capaz de escutar, acompanhar e sustentar a fraternidade, garantindo que ninguém caminhe sozinho. Também foi ressaltado que os processos de reorganização regional devem ser vividos como autênticos caminhos espirituais e missionários, marcados pelo discernimento comunitário, pela conversão e pela esperança, inspirados na audácia de São Marcelino Champagnat e na sinodalidade proposta pela Igreja.

O segundo dia de encontro aprofundou a experiência, com a vivência de memória, reflexão e cuidado com a vida comunitária. Na oração da manhã, os participantes foram convidados a recordar pessoas significativas de suas respectivas trajetórias vocacionais, reconhecendo nelas testemunhos concretos de liderança fraterna. A proposta conectou a história pessoal de cada animador à missão compartilhada da vida marista.

Também participou do encontro o Ir. Alberto Rojas Carvajal, conselheiro-geral do Instituto Marista e referência para a RAS. Ele proporcionou aos participantes uma formação baseada na metodologia da investigação apreciativa, propondo um olhar atento aos sinais de vida presentes nas comunidades. A abordagem valorizou práticas já existentes de liderança servidora, como a escuta ativa, o acompanhamento próximo, a espiritualidade partilhada e a criação de espaços de encontro. A partir dessa perspectiva, os animadores foram convidados a projetar comunidades mais vivas e a identificar ações concretas que fortaleçam a fraternidade, sustentadas por valores como transparência, corresponsabilidade e cuidado nas relações.

Em consonância com essa reflexão, Ir. José de Assis Elias de Brito destacou que o animador é, essencialmente, um guardião do sentido da vida comunitária. Para ele, em um contexto marcado por fragilidades vocacionais, desafios intergeracionais, envelhecimento e adoecimento, “animar hoje é não permitir que ninguém se perca no caminho por falta de um irmão”, assumindo uma postura de proximidade, compaixão e fidelidade ao Evangelho e ao carisma marista.

O diretor do Secretariado Irmãos Hoje, também do Instituto, o Ir. Pere Ferré, conduziu uma reflexão centrada no cotidiano da vida comunitária, lembrando que a fraternidade se constrói em gestos simples, como acolher, escutar, dialogar e cuidar das relações. Destacou-se a importância de “exagerar na fraternidade”, reconhecendo nas diferenças uma oportunidade de crescimento e chamando atenção para o cuidado com o desgaste emocional e a necessidade de espaços autênticos de encontro.

A jornada foi encerrada em clima de alegria e convivência fraterna, com um momento de partilha que reforçou os laços entre os participantes e evidenciou que a vida comunitária se fortalece tanto na reflexão quanto na simplicidade do cotidiano. Assim, o Encontro de Animadores Comunitários da Região América Sul reafirma o propósito profético e transformador, consolidando-se como espaço privilegiado para renovar a fraternidade, fortalecer a missão e impulsionar a construção de comunidades maristas mais humanas, vivas e comprometidas com o Evangelho.

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