Dia de São Marcelino Champagnat: 6 de junho

Dia de São Marcelino Champagnat

No dia 6 de junho, o Instituto Marista celebra o Dia de São Marcelino Champagnat. A data marca a memória de um fundador e, sobretudo, evoca o carisma de um homem que, mais que erigir uma congregação, moldou um jeito de evangelizar, educar, viver e amar que até hoje orienta milhares de pessoas em diferentes lugares do mundo. Fundador do Instituto Marista, Champagnat nasceu em 1789, na França, e morreu em 1840, deixando um legado marcado por atitudes corajosas, confiança na Providência e liderança construída mais no chão da vida que no pedestal do poder.

 

 

Em 1817, ao assumir como coadjutor da paróquia de La Valla, Champagnat reuniu os primeiros jovens Irmãos para alfabetizar e evangelizar crianças rurais que viviam em profunda ignorância religiosa. As memórias narradas por Irmão Lourenço são vívidas: “comíamos pão duro e da cor da terra; a construção era precária, onde Marcelino corrigia paredes tortas refeitas às pressas por mãos inexperientes. Não apenas supervisionava: pegava na enxada, carregava pedra, ensinava a assentar tijolo”. Quando surgiram disputas locais, como as resistências do vigário-geral de Lyon, padre Bochard, que tentava absorver o pequeno grupo marista às obras dos Irmãos da Cruz de Jesus, Champagnat não recuou. Redigia cartas, buscava apoio junto ao arcebispo, dom Gaston de Pins, e encarava negociações difíceis, mantendo os olhos fixos no essencial: educação e cuidado pessoal por cada Irmão, atento à saúde, ao ânimo, às dores invisíveis que circulavam pela comunidade.

 

 

Nos últimos anos de vida, enquanto o Instituto crescia, Marcelino não se enredava por honrarias. Em novembro de 1839, mesmo exausto, viajou a pé para pregar retiro a alunos internos em La Côte-Saint-André. Inspirava piedade palpável: estudantes, impressionados pela figura do homem doente, disputavam confissões, dizendo entre si: “este padre é um santo”. Um mês depois, fez sua última fundação, o noviciado de Vauban, não sem expressar inquietação: temia que a grandeza do castelo enfraquecesse o espírito de pobreza e humildade. Recolheu pessoalmente objetos de luxo, reafirmando: “Somos filhos de Belém, Irmãozinhos de Maria”.

 

Os últimos atos de Marcelino foram permeados por amor profundo à missão e aos Irmãos. Mesmo consumido por dores, preparou cuidadosamente o futuro do Instituto: transferiu bens legais para os Irmãos conselheiros, celebrou uma confissão geral, recebeu o viático diante da comunidade reunida. Preocupava-se em visitar operários da pedreira, supervisionar o trabalho dos noviços e garantir que doentes fossem bem assistidos. Na agonia, segurava firmemente a cruz de profissão, beijando-a continuamente, e dizia aos Irmãos: “Que felicidade morrer na Sociedade de Maria”. Nos últimos dias, ditou seu testamento espiritual ao Ir. Luís Maria, escrito sob supervisão direta. As palavras ressoam como herança viva: pediu fidelidade à Regra, espírito de obediência, amor entre Irmãos e confiança ilimitada em Maria. Pediu que todos se alegrassem pelo êxito de outras congregações e nunca caíssem na inveja. Exortou perseverança na vocação: “A vida é curta, e a eternidade jamais acabará. Ah! Como é consolador, no momento de se apresentar diante de Deus, lembrar-se de que a gente viveu sob os auspícios de Maria!”.

 

 

Na manhã de 6 de junho de 1840, vigília de Pentecostes, enquanto a comunidade rezava a Salve Regina, Marcelino Champagnat adormeceu serenamente no Senhor. Desejava morrer em um sábado, dia consagrado à Virgem, e assim foi. Seu legado, no entanto, floresceu. Ele mesmo profetizara: “Após minha morte, tudo andará melhor do que até agora. Os progressos da Congregação serão mais rápidos do que nunca”. Em 13 anos, a obra, que contava com apenas 45 casas à sua morte, expandiu-se para 250.

 

 

Celebrar Champagnat é renovar o compromisso com a educação evangelizadora. O legado do santo fundador permanece como convocação viva: amar profundamente, agir concretamente, confiar radicalmente na Providência. Um chamado que ultrapassa o tempo, reverbera nas obras maristas ao redor do mundo e nos convida a seguir com coragem e ousadia.

 

 

São Marcelino Champagnat, rogai por nós!

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