Henri Vergès: mártir da educação e da fé

Captura de tela

Henri Vergès nasceu em 15 de julho de 1930, em Matemale, pequena aldeia do Capcir nos Pireneus Orientais, na França. Henri era o primeiro dos seis filhos de Joseph Vergès e Mathilde Bournet, camponeses da região.
Iniciou a vida religiosa aos 12 anos, ao ingressar em uma casa marista em Saint Paul-Trois-Châteaux, cidade francesa situada ao sul. Anos depois, em 1952, assumiu o compromisso definitivo como membro do Instituto dos Irmãos de Maria, exercendo a função de educador e professor em escolas na região do Ardèche, em Cheylard e Aubenas. Entre 1958 e 1966, foi vice-mestre dos noviços e se licenciou em Filosofia.

 

Ao participar do Capítulo Geral de 1967–68 como delegado da Província que compunha, Ir. Henri recebeu convite para ser um missionário marista na Argélia, país africano recém-independente da França. Aceitou a proposta e desembarcou na capital do país, Argel, em 6 de agosto de 1969, no dia da Festa da Transfiguração.
A jornada de Ir. Henri no país africano começou definitivamente ao assumir o cargo de diretor da Escola São Boaventura — função que exerceu até 1976, quando foi retirado do posto após a nacionalização das escolas particulares argelinas.

 

Decidiu, portanto, continuar a serviço dos jovens daquele país, dessa vez atuando como professor no liceu de Sour-el-Ghozlane, onde permaneceu por 12 anos. Realizado nessa responsabilidade, ele chegou a escrever à época: “Agradeço a Deus por me ter escolhido para ser educador dos jovens. Isso exige renúncia e disponibilidade”.
Ao perder a licença de educador, regressou a Argel em 1988 e assumiu uma biblioteca no bairro de Kasbah, transformando-a em espaço de diálogo para jovens muçulmanos e cristãos que procuravam por recursos de trabalho e tranquilidade na preparação para exames acadêmicos.

 

Em 1989, o Irmão resumiu os anos de caminhada missionária no país africano: “Foi meu compromisso marista que me permitiu, apesar de minhas limitações, inserir-me harmoniosamente em meio muçulmano, e minha vida neste meio, por sua vez, me realizou mais profundamente, como cristão marista. Deus seja louvado!”.
Em relato intitulado “A Santidade do Irmão Henri Vergès: o destemor em forma de amor”, Ir. Eduardo d’Amorim, da PMBCN, que conheceu e conviveu com o Ir. Henri Vergès, resumiu os desafios vividos pelo religioso em terras argelinas.

 

“[Ir. Henri] tinha consciência que sua ação naquelas terras, que ele adotara como suas, mantinha sua vida sempre por um fio, diante das atitudes desbravadoras que tomava num campo que ele sabia minado. Hoje vejo que sua santidade se expressava de forma diferente do meu conceito sobre o tema. Realmente, não é brincadeira viver nesta tensão e amor durante mais de 25 anos de presença marista e cristã, entre Irmãos iguais e muito diferentes.”

 

A jornada de fé profunda e simplicidade evangélica de Ir. Henri na Argélia se encerrou de forma brutal em 8 de maio de 1994. Nesse dia, na biblioteca onde servia, foi assassinado por extremistas junto com a religiosa Irmã Paul-Helène Saint-Raymond, que também trabalhava no local.

 

Beatificado em 2018, Ir. Henri inspira educadores e missionários a viverem com coragem, fé e amor ao próximo. Deixou o testemunho de uma vida discreta e luminosa: uma presença fraterna que semeou a esperança.

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