O Irmão Conon, chamado na vida prática de Irmão Alberto, assumiu o governo da Província do Brasil Norte em 10 de outubro de 1915, após anos de enfermidade marcados por nada menos que 53 crises de malária. Longe de ser um empecilho, essa dura experiência tornou-se sinal de credibilidade espiritual, despertando confiança entre os Irmãos, que o viam como homem de provação e fé. Sua modéstia era tão conhecida que, ao ser apresentado oficialmente no retiro de Apipucos, pediu orações e relutou em ocupar a cadeira que lhe era devida como provincial. Ainda assim, logo no início, deixou claro o programa que norteou sua liderança: piedade fiel, paz nas casas e autoridade respeitada, sob a divisa “a união faz a força”.
Durante o primeiro provincialato (1915–1925), empenhou-se em sanar dificuldades históricas da Província, como as dívidas herdadas de Aubenas, a falta de capital e a carência de casas de formação. Sua prioridade foi o recrutamento vocacional, tanto no Brasil quanto na Europa. No Nordeste, sobretudo em Pernambuco e no Ceará, lançou campanhas sistemáticas de aproximação com famílias e clero, que resultaram no envio de grupos anuais de jovens para Apipucos. Ampliou também as frentes internacionais: consolidou a presença portuguesa com o Juvenato do Sagrado Coração, fruto do envio do Irmão Marie-Eméric em 1918, e firmou acordos com as Províncias de Aubenas e de León, garantindo fluxos de jovens Irmãos para o Brasil. Sua visão estratégica fez do recrutamento a alma do crescimento provincial.
Ao término de 1925, após nove anos de governo fecundo, foi substituído pelo Irmão Marie-Alypius, obedecendo às Constituições. Entretanto, três anos depois, em 1928, o Conselho Geral voltou a elegê-lo provincial, agora para substituir o próprio Irmão Alypius. Encontrava-se, então, envolvido em grandes obras na Bahia e em Belém, mas aceitou o encargo, mostrando-se novamente homem de obediência e sacrifício.
Seu segundo provincialato (1928–1938) coincidiu com um tempo de grande expansão e consolidação. Foi responsável pela construção e por reformas de colégios como o Ginásio Nossa Senhora da Vitória (Salvador), o Instituto Nossa Senhora de Nazaré (Belém) e a Casa Provincial de Apipucos, cuja nova ala foi projetada por ele. Apesar das limitações financeiras, mobilizou a comunidade dos Irmãos, que muitas vezes trabalharam como pedreiros, alfaiates e sapateiros, sustentando a missão com austeridade.
Homem de disciplina, zelava pela fidelidade às tradições do Instituto. Em retiros, não hesitava em corrigir atitudes que julgava destoantes da vida religiosa, preservando o espírito marista. Também incentivou fortemente a publicação de boletins e revistas escolares, regulando seus conteúdos para que estivessem sempre em harmonia com o ideal educativo de Champagnat.
A ele se deve a abertura de novas frentes educativas, como o estabelecimento dos Irmãos em Natal (RN), no Colégio Santo Antônio, além da consolidação do Colégio Diocesano Pio X, na Paraíba. Sua administração acompanhou, ainda, a turbulência da Revolução de 1930, quando soube manter serenidade e confiança.
Profundamente mariano, Ir. Conon atribuía à Virgem Maria os frutos das vocações e das obras, repetindo com convicção: “A Santíssima Virgem fez tudo entre nós”. Sua longa liderança, somando cerca de 20 anos à frente da Província, deu ao Brasil Norte vigor missionário, educativo e espiritual que marcou definitivamente a história marista na região.