A nomeação do Ir. Marie-Alypius (Henri Jérôme Jouave) como segundo provincial da Província do Brasil Norte ocorreu em 21 de novembro de 1909, após a eleição do Ir. Damien para assistente-geral. Até então diretor do Internato da Bahia, o novo provincial foi reconhecido pelos superiores como um religioso de sólidas virtudes, conhecedor da realidade brasileira e dotado de firmeza de caráter e zelo apostólico, qualidades que o tornavam digno sucessor do fundador da Província. Sua eleição foi recebida com entusiasmo pelos Irmãos, que viam nele um chefe prudente, próximo e confiante na Providência.
Durante esse primeiro governo (1909-1915), o Ir. Alypius foi protagonista de um dos momentos mais decisivos para a consolidação da Província nascente: a criação de um Juvenato-Noviciado no Brasil. A iniciativa respondeu à grande necessidade de formação local de novos religiosos, suprindo uma lacuna até então sentida com pesar. Para esse fim, adquiriu-se, em 1910, a propriedade de Ponte d’Uchoa, em Recife, que passou a abrigar, simultaneamente, um colégio e o juvenato. A inauguração dessa obra contou com a chegada de jovens formandos vindos da Europa, bem como com a presença e o apoio de Dom Luís da Silva Brito, bispo de Olinda e Recife, que desde o início demonstrou benevolência e incentivo à missão marista.
O juvenato, transferido posteriormente para Apipucos, consolidou-se como centro de formação e berço das primeiras vocações brasileiras. Apesar das dificuldades iniciais, incluindo a morte precoce do juvenista Marcel Rieu e do Ir. Romualdus, primeiro diretor da casa, a obra resistiu graças ao espírito de fé e sacrifício que marcou aqueles anos. Para o Ir. Alypius, tais provações eram sinais da cruz que sempre acompanham as obras de Deus, fortalecendo ainda mais a vocação missionária dos Irmãos.
No plano pastoral e pedagógico, o governo do Ir. Alypius também se destacou pela realização dos primeiros Grandes Exercícios Espirituais de Santo Inácio para os Irmãos da Província, bem como pela fundação de novas comunidades e escolas, que respondiam às demandas da Igreja e da sociedade em um Brasil ainda carente de educadores cristãos. Sua habilidade em dialogar com os bispos e conquistar seu apoio garantiu o prestígio e a estabilidade das obras maristas em diferentes estados.
Após deixar o cargo em 1915, o Ir. Alypius retornou ao governo da Província em 1925, permanecendo até 1928. Nesse segundo provincialato, trouxe novamente sua experiência e liderança para fortalecer as obras e consolidar a vida religiosa, dando continuidade ao trabalho iniciado anos antes. Sua trajetória, marcada por zelo missionário e fidelidade à Regra, preparou o terreno para o florescimento das vocações brasileiras e para a expansão da missão marista em terras de Santa Cruz.