Nascido em 8 de julho de 1881, no departamento de Ardèche, na França, e batizado com o nome Marius Adrien Deydier, o Irmão Zeferino dedicou toda a sua vida ao Instituto Marista, servindo com fidelidade e espírito de fé. Sua trajetória atingiu o ápice quando, em março de 1938, foi chamado a assumir a direção da Província do Brasil Norte. Sucedia o Irmão Conon, figura admirada por todos, e recebeu a missão com serenidade, humildade e profundo senso de responsabilidade. A transmissão de poderes ocorreu em Recife, em reunião simples e familiar, com a presença das comunidades de Ponte d’Uchoa e do Recife.
Discreto e constante, o Irmão Zeferino iniciou logo as visitas às comunidades, desejando conhecer de perto a vida dos Irmãos e das escolas. Procurava compreender antes de orientar, ouvir antes de decidir. Enfrentou longas viagens por todo o território da Província, com espírito de serviço e confiança em Deus. Em cada casa, deixava palavras de fé e esperança, demonstrando profundo desejo de ver os Irmãos crescerem em santidade. Encorajava a oração, o silêncio, a fraternidade e a simplicidade, insistindo na fidelidade às Regras e Constituições. Recomendava a prática da pobreza evangélica e a atenção aos pequenos gestos de cada dia. Suas cartas às comunidades uniam clareza e ternura, orientando com firmeza, mas sempre com o tom paterno que lhe era próprio.
Durante seu governo, cuidou com zelo da formação integral dos Irmãos. Incentivou o estudo e apoiou os cursos superiores maristas que, mais tarde, dariam origem à Faculdade de Educação São José. Via na formação sólida dos Irmãos a chave para um apostolado fecundo e para a continuidade do carisma de Champagnat.
Com igual dedicação, fomentou a promoção vocacional. Reforçou a Semana das Vocações, promovendo entre os alunos o gosto pela vida consagrada e o espírito de serviço. Seu exemplo e sua presença constante despertaram em muitos jovens o desejo de seguir o caminho marista.
Os anos de guerra na Europa (1939–1945) trouxeram desafios à Província. As comunicações com a Casa Geral eram incertas, e as viagens, arriscadas. Mesmo assim, o Irmão Zeferino manteve firme a confiança, animando as comunidades e pedindo orações pela paz e pelos superiores. Promoveu retiros, encontros e tempos fortes de espiritualidade, recordando sempre que a fidelidade à Regra era o caminho mais seguro de santificação.
Ao longo de seus nove anos de governo, o Irmão Zeferino conduziu a Província com prudência e fé. Consolidou obras, fortaleceu a vida comunitária e formou novas gerações de Irmãos e educadores. Quando concluiu o mandato, em 1947, deixou uma província mais coesa, espiritualmente madura e fiel ao carisma de Champagnat.
Depois de longos anos de dedicação, o Irmão Zeferino retirou-se à vida simples e orante que sempre amou. Faleceu no dia 25 de outubro de 1955, deixando o testemunho sereno de quem viveu o Evangelho e a Regra.
Na memória marista, o Irmão Zeferino permanece como um pai espiritual, firme e afável, que conduziu com sabedoria o rebanho que lhe foi confiado. Sua vida foi um serviço discreto e fiel, a expressão viva do lema marista: “Tudo a Jesus por Maria. Tudo a Maria para Jesus”.
Referência Bibliográfica: Maria, Nuno, 1922 – Segundo quarto de século: 1928–1953