A sociedade atual tem demonstrado uma incessante busca por alguma chama que a ilumine e aqueça a existência. Na verdade, destaca-se no seio da modernidade o desejo por algo que viabilize o rumo da existência ao mobilizar a dinâmica dos seres na grande festa da vida com os outros. Sobressai-se cada vez mais a necessidade de respostas concretas e efetivas aquelas insistentes perguntas: Por que vivemos? Para que existimos? Para onde vamos? Que mundo estamos construindo?
É notório que o projeto de vida tanto a nível coletivo, como no pessoal, se resume numa preocupação frenética com o imediat o, projetos utópicos e/ou duradouros não entusiasmam. Infelizmente existe uma fragil idade na compreensão do sentido global da existência, as convicções perderam força e espaço nessa mudança de civilização. A par tir do desenrolar da novidade no cotidiano da vida surge novas crenças, emergem novas interpretações sobre a condição humana, ao passo que também desponta como alterna tiva aos desafios prementes – a dimensão transcendente da pessoa.
Em meio a todas essas transformações e inquietudes que a sociedade atual enfrenta, destaca-se o universo juvenil. A juventude se configura como etapa do desenvolvimento humano com suas peculiaridades, caracterizada por uma série de transformações, envolvendo fatores biológicos e socioculturais. Justamente essa característica multifacetada da juventude é o que lhe imprime o caráter de singularidade na história dos indivíduos.
Os jovens amadurecem e tomam consciência das exigências da vida quando são reconhecidos, desafiados, respeitados e apoiados em seu crescente senso de autoconfiança e de individualidade. O diálogo, a tolerância e a delicadeza sutil e firme na condução das decisões são fundamentais nessa etapa juvenil. Nesse horizonte de formação de identidade, autonomia e tomada de decisão se entrelaçam, visto que as escolhas feitas pelos jovens influenciarão o seu comportamento sexual, religioso e afetivo.
A juventude, para ser compreendida em sua amplitude, precisa ser abordada como construção no/do presente, para que assim os jovens sejam vistos como sujeitos autônomos com capacidade de edificar e participar coletivamente da construção da sociedade e da cultura, mesmo que seja da forma mais contraditória possível, em sintonia com as experiências e trajetórias de suas vidas.
A configuração das juventudes traz consigo a abundância de sentimentos, sonhos em potencial, ambições, cobranças dos adultos e impulsos instintivos que se misturam de forma desproporcional e nem sempre desarmônica, levando o jovem a não conseguir se situar com clareza. O desejo de ordenamento é superado pela confusão que se apresenta com diversas ramificações. Existe a vontade de ordenar-se, organizar sua interioridade e expressá-la na vida, todavia os impulsos hormonais e vitais despontam abundantes, fragilizando a capacidade de dispô-los de forma humanizada para gerar satisfação e serenidade, isso provoca sofrimento sem que se possam identificar as razões.
Como parte integrante desse universo juvenil, a crise de expectativas na juventude é um fenômeno que cresce em várias partes do mundo: jovens que não conseguem projetar um futuro estável, sentem frustração, insegurança e até paralisia diante das escolhas. Essa crise não vem de um único fator, mas de um conjunto de pressões sociais, econômicas, emocionais e culturais. Pode-se especificar alguns elementos geradores dessa crise pulsante: a primeira tensão vem da expectativa de que os jovens podem tudo e de que a vida é muito fácil, um mundo totalmente acelerado e exigente, peso das comparações nas redes sociais, saúde mental e sobrecarga emocional, o choque cultural entre gerações em que muitas instituições tradicionais (trabalho, família, fé, comunidade) perderam a previsibilidade que ofereciam no passado e uma conflitante crise de significado/existencial que se reflete na sede de sentido.
Por outro lado, entende-se que a crise também é um impulso para reinventar caminhos. Dessa forma, surgem algumas possibilidades para busca de outros caminhos possíveis: redução de expectativas irreais, trabalhar com metas pequenas, concretas e alcançáveis; cultivar propósito, encontrar sentido nas pequenas ações, não apenas nos grandes sonhos; construir comunidade, relacionamentos fortes reduzem inseguranças; praticar autocompaixão, entender limites e acolher fraquezas; e aprender a lidar com incertezas.
Diante de tudo isso, fica evidente que a crise de expectativas vivida pela juventude não é fruto de fragilidade individual, mas de um cenário social marcado por incertezas, comparações constantes e exigências cada vez mais altas. Vale ressaltar que os jovens de hoje carregam o peso de expectativas irreais ao mesmo tempo em que enfrentam um mundo em rápida transformação, onde antigas garantias deixaram de existir. Dessa maneira, a tão sonhada civilização do amor será revitalizada por meio de uma articulação de forças na luta por um mundo mais justo, harmonioso e equilibrado. A resposta está em nossas mãos, deixemos fluir a sensibilidade que nos irma-na no movimento de vínculos significativos e o desejo de construir futuros mais humanos.
Por Ir. José Sotero dos Santos Neto



