Na última quinta-feira (19), católicos se reuniram para celebrar Corpus Christi, solenidade que reafirma a crença na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. No Brasil, a data convida os fiéis a uma pausa reverente no calendário civil para refletir sobre o mistério central da fé cristã: o sacramento do corpo e sangue de Cristo. Independentemente da localização, a Igreja celebra mundo afora, como foi na Comunidade Formativa do Noviciado, em Cochabamba, na Bolívia.
Os 10 noviços que compõem o grupo de formandos e os formadores, Irmãos Rubens José Falqueto, Inácio Néstor Etges e Reinaldo Becerra Guevara, vivenciaram a solenidade de Corpus Christi na Catedral Metropolitana de Cochabamba e na Igreja de Nossa Senhora do Pilar. De acordo com o noviço, Ir. José Gustavo Felipe de Morais, viver ao lado do povo e partilhar desses momentos os ajudou a aprofundar ainda mais o caminho vocacional. “A presença nas celebrações, a participação na vida da Igreja local e a contemplação da fé das pessoas renovaram em nós o desejo de seguir servindo com alegria e simplicidade”, completou.
Na Bolívia, assim como no Brasil, é tradição a elaboração de tapetes coloridos para a passagem do Santíssimo Sacramento. “Ficamos encantados com a criatividade e devoção expressas nos tapetes, feitos com muito cuidado e carinho. Tivemos a alegria de ver os alunos dos colégios maristas contribuindo ativamente na confecção de alguns desses tapetes, colaborando com esse gesto tão bonito de fé popular”, destacou José Gustavo.
A solenidade de Corpus Christi foi oficialmente instituída em 1264, pelo Papa Urbano IV, por meio da bula Transiturus de hoc mundo, como resposta à crescente devoção eucarística e à comoção provocada pelo milagre de Bolsena. O milagre ocorreu quando Pedro de Praga, sacerdote alemão, tomado por dúvidas sobre a presença real de Cristo na Eucaristia, viu a hóstia consagrada sangrar durante a missa. O pontífice, então, estabeleceu a festa anual para reforçar a fé, diante dos religiosos e das controvérsias teológicas da época. “Estabelecemos um dia fixo para ela [a festa], a primeira quinta-feira depois da Oitava de Pentecostes”, escreveu o Papa. Desde então, a solenidade passou a ocupar um lugar de destaque no calendário litúrgico, como expressão pública e jubilosa da fé católica.