O Noviciado Regional Champagnat, importante etapa no itinerário formativo dos Irmãos Maristas, constitui-se como um tempo de estudo e aprofundamento espiritual, representando também um processo integral que envolve a configuração progressiva da vida ao seguimento de Jesus, ao estilo de Maria, na vivência do carisma deixado por São Marcelino Champagnat. Nesse caminho, cada dimensão da formação é trabalhada de maneira articulada, tendo como propósito a construção de um coração disponível para Deus e para a missão.
Dentro dessa dinâmica, o segundo ano do Noviciado, de caráter apostólico, significa um deslocamento importante: da centralidade da interioridade para a inserção mais direta na realidade. Após um primeiro ano marcado pela oração e pelo aprofundamento das bases da vida religiosa, os noviços são enviados a experiências concretas de missão, nas quais são chamados a viver, em contextos reais, aquilo que vêm assimilando ao longo do processo formativo.
Com essa intenção, os Irmãos José Gustavo de Morais e Jefferson Teixeira Barros encontram-se atualmente em experiência apostólica, inseridos em diferentes realidades da missão marista. No Uruguai, o Ir. Jefferson destaca que a experiência missionária começa antes mesmo do envio:
“A experiência vivida no Uruguai começou ainda em Cochabamba, na preparação para a missão. Ao chegar, fui acolhido pela comunidade dos Irmãos e já iniciei um processo profundo de aprendizagem humana, espiritual e comunitária”.
Na vivência cotidiana, ele reconhece a força do carisma que ultrapassa fronteiras e se concretiza na presença:
“Na missão, percebo que o carisma marista ultrapassa idiomas e se concretiza na presença educativa e na proximidade com as pessoas. No contato com os jovens, aprendo continuamente e reconheço o chamado a ser presença significativa, especialmente junto aos mais vulneráveis”.
A experiência comunitária também se revela como elemento formativo essencial:
“A vida em comunidade tem sido espaço de crescimento, desafiando à abertura, ao diálogo e ao cuidado mútuo. Essa experiência fortalece a vivência dos conselhos evangélicos e aprofunda a confiança em Deus”.
Já o Ir. José Gustavo realiza sua experiência na comunidade de Horqueta, no Paraguai, onde evidencia o sentido profundo desse tempo no caminho vocacional:
“A experiência apostólica neste segundo ano de Noviciado é mais que um tempo de missão, é um tempo de viver intensamente a fraternidade em comunidade com meus Irmãos e junto a crianças e jovens”.
O noviço compreende essa etapa como preparação para um passo decisivo na vida religiosa:
“É um tempo bonito em minha vocação, pois faz parte do itinerário que me prepara para professar os votos no Instituto e selar uma profunda experiência com Jesus, Maria e Marcelino”.
A dimensão missionária amplia horizontes e conecta o vivido ao sonho do fundador:
“Estar no Paraguai é viver, na prática, o sonho de Champagnat, de que ‘todas as dioceses do mundo estão em nossos planos’. De coração agradecido e feliz, vivo essa experiência missionária e fraterna com muita disposição e entusiasmo”.
A vivência nas diferentes realidades favorece o contato com contextos sociais, culturais e eclesiais diversos, ampliando o olhar dos noviços e aprofundando a compreensão da missão marista no mundo de hoje. Ao partilhar a vida com Irmãos, leigos e com o povo, especialmente crianças e jovens, vão sendo formados, na sensibilidade, na disponibilidade e no espírito de serviço, elementos essenciais da vocação.
Realizada ainda no decurso do processo formativo, essa etapa não possui caráter conclusivo, mas pedagógico: trata-se de um tempo de aprendizagem, de confirmação e de questionamento. A experiência apostólica coloca o noviço diante da concretude da missão e, ao mesmo tempo, diante de si, ajudando-o a discernir, com maior profundidade, os apelos de Deus.
Ao viverem esse tempo de envio, os noviços seguem o caminho formativo, iluminados pela experiência direta com a missão. Não é meramente a realização de atividades, o que se constrói é um aprendizado existencial, no qual a vocação se prova, se purifica e se fortalece, em diálogo constante entre oração, vida fraterna e serviço.