Em 13 de junho de 1900, três Irmãos Maristas partiram da Província de Beaucamps, na França, rumo ao Brasil, com destino à cidade de Bom Princípio, no Rio Grande do Sul. A missão, confiada aos Irmãos Welbert, Marie Berthaire e Jean Dominici, marcou o início da presença marista no Sul do país. A jornada teve início com o deslocamento até Paris e seguiu por Le Havre, onde o grupo embarcou no vapor Guahyba, atravessando o Atlântico até o porto de Rio Grande. A iniciativa, impulsionada por um pedido das autoridades eclesiais e pelo anseio da comunidade local, visava fundar uma escola católica voltada à formação de professores e à educação de crianças e jovens da região.
Após deixarem Beaucamps, os Irmãos seguiram de trem até Paris, onde, em 15 de junho, dirigiram-se à Basílica do Sagrado Coração, no topo da colina de Montmartre. Ali, renovaram a consagração a Jesus e Maria, oferecendo a separação de suas famílias, a entrega à missão e toda a obra que seria construída no Brasil. Na ocasião, expressaram o desejo de que, caso a missão florescesse, fosse reconhecida como Província do Sagrado Coração de Jesus.
Em 18 de junho, chegaram ao porto de Le Havre e, no dia 19, embarcaram no vapor Guahyba, da Companhia Hamburguesa de Navegação, para a América do Sul. Após quatro semanas de navegação, a embarcação atracou em Maceió, onde os Irmãos acreditaram, equivocadamente, estar no destino pretendido. No entanto, a jornada prosseguiu até o porto de Rio Grande, onde desembarcaram em 20 de julho. Na chegada, foram acolhidos por dois padres jesuítas da Escola Stella Maris e tiveram a presença noticiada pelos jornais Diário de Rio Grande e Echo do Sul, em 27 de julho.
No dia 21 de julho, embarcaram no vapor Mercedes, que os conduziu a Porto Alegre em dois dias. Entre 23 e 31 de julho, permaneceram na capital gaúcha para formalizar os trâmites legais de entrada no país e visitar Dom Cláudio Ponce de Leon, grande incentivador da missão marista. No dia 29, Dom Cláudio enviou uma carta ao superior-geral dos maristas, à época Ir. Théophane Durand, manifestando apoio à iniciativa: “Bom princípio significa bom começo. — Conhecendo vossa comunidade, as necessidades e as disposições de meus diocesanos, espero que este bom princípio fará admiráveis progressos, ricos em consolação para a comunidade e a Diocese”.
Em 1º de agosto, os Irmãos seguiram até São Sebastião do Caí, onde foram recebidos novamente por jesuítas, que comunicaram sua chegada aos responsáveis da cidade de destino. No dia seguinte, 2 de agosto de 1900, os três missionários foram conduzidos até Bom Princípio por uma comitiva em veículos rústicos. Diante da Igreja Matriz, foram recebidos por autoridades e pela comunidade local, ao som dos hinos Te Deum Laudamus e Grosser Gott wir loben Dich, entoados em alemão. No dia seguinte, foi celebrada missa solene para marcar oficialmente a instalação da nova comunidade religiosa. O trabalho teve início imediato, em uma pequena escola paroquial, e a fundação de novas escolas nos anos seguintes consolidou um cenário de otimismo para a educação católica na região.
A casa de Bom Princípio, durante décadas, serviu como centro de formação de religiosos. A partir de 1999, foi adaptada para funcionar como espaço pastoral e formativo. Hoje, abriga o Centro Educacional Marista de Bom Princípio, com infraestrutura para encontros, seminários, retiros, cursos e atividades esportivas. Com capacidade para acolher até 75 pessoas, o espaço preserva a memória da missão iniciada há mais de um século. O trabalho dos três Irmãos pioneiros é atualmente levado adiante por outros consagrados maristas, leigas, leigos e colaboradores em todo o Brasil, unidos pelo propósito de construir uma sociedade mais justa e fraterna por meio da educação e do cuidado com a vida.