No dia 15 de agosto, a Igreja celebrou a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, proclamada em 1950 como dogma pelo papa Pio XII e vivida desde os primeiros séculos como sinal de esperança e consolação para o povo cristão. A data recorda a elevação de Maria em corpo e alma à glória celeste, privilégio ligado à condição de Mãe de Jesus, que confirma a promessa da ressurreição e da vida eterna. No mesmo dia, o Instituto Marista comemora a festa patronal, de modo a reafirmar a identidade mariana que acompanha a congregação desde a sua fundação.
O vínculo com Maria faz parte da vida marista desde a devoção de São Marcelino Champagnat, que confiou à Boa Mãe a proteção da obra nascente. Ao instituir os Pequenos Irmãos de Maria e ao colocar sob o amparo da Virgem o desenvolvimento da missão, Marcelino consolidou um traço característico do Instituto. A confiança na Providência Divina e a devoção filial à Mãe de Jesus marcaram a espiritualidade marista e permanecem como sinal identitário para Irmãos, leigas e leigos maristas em todo o mundo.
A espiritualidade marista tem origem na consagração realizada em Lyon, na França, em 1816, quando Marcelino Champagnat e outros jovens sacerdotes colocaram sob a proteção de Maria o projeto da Sociedade de Maria. Naquele ato, Maria foi reconhecida como presença inspiradora e guia de uma missão que nasceria marcada pelo zelo apostólico e pelo cuidado com a educação evangelizadora.
Ao longo da vida, Marcelino cultivou a devoção à Virgem, invocando-a como Boa Mãe. A imagem de Maria com o Menino nos braços, símbolo de ternura e confiança, tornou-se para o fundador e seus primeiros Irmãos sinal de proteção e inspiração. A devoção não era apenas afetiva, mas sustentava decisões concretas: Champagnat afirmava que Maria resolvera a primeira crise vocacional do Instituto, trazendo-lhe novos postulantes, e atribuía a Ela a conclusão segura da construção de l’Hermitage. Mesmo diante de ameaças de supressão do Instituto, encorajava os Irmãos a confiar na intercessão da Boa Mãe, considerada o “Recurso Habitual” da obra.
A devoção mariana, que sustentou Champagnat nos primeiros passos da obra, permanece como herança espiritual. Ao longo de mais de 200 anos, gerações de maristas reconheceram Maria não somente como padroeira, mas como presença constante de ternura, proteção e inspiração para a missão. Celebrar a Assunção é, portanto, reafirmar a confiança no futuro, sustentada pela fé de que, unidos a Cristo, partilharemos da mesma glória já vivida pela Mãe de Deus.