Em 25 de setembro de 1897, seis Irmãos Maristas embarcaram no transatlântico Provence, no porto de Marselha, rumo ao Brasil. Andrônico, Luís Anastácio, Afonso Estevão, João Alexandre, Brasília e Aloísio foram escolhidos pelo então superior-geral, Ir. Théophane Durand, para dar início à expansão da missão marista em terras brasileiras. A viagem foi resposta ao convite de Dom Silvério Gomes Pimenta, bispo de Mariana (MG), que buscava religiosos para a educação em sua diocese. Além disso, a partida ocorreu em um contexto delicado: o governo francês, à época, impunha restrições severas às congregações religiosas, o que obrigou a expansão do Instituto para além da Europa.
Em um depoimento do Ir. Roque Plínio Loss, que conheceu pessoalmente o Ir. Aloísio, ele afirma: “Os primeiros Irmãos, além de pioneiros, foram audaciosos. Revolucionaram, de certa forma, a educação por onde passavam e faziam presença”.
Os viajantes iniciaram a jornada em Saint-Genis-Laval, perto da cidade de Lyon, e chegaram de trem a Marselha no dia 21 de setembro. Antes de embarcarem, consagraram-se a Nossa Senhora da Guarda, no alto da colina que domina a cidade portuária. Quatro dias depois, às margens do Mediterrâneo, despiram-se das origens e abraçaram o desconhecido. O cronista da viagem, Ir. Afonso Estevão, escreveu: “Ao soar da sirene, abraçamo-nos, enquanto a emoção, naturalmente, nos umedece os olhos”.
Após três semanas de travessia, os Irmãos avistaram o farol do Arraial do Cabo na noite de 14 de outubro. No dia seguinte, passaram pela inspeção sanitária em Ilha Grande e desembarcaram no porto do Rio de Janeiro. Foram recebidos pelo padre Cândido Veloso, enviado pelo bispo de Mariana. Permaneceram no convento dos Capuchinhos, no Morro do Castelo. Dois dias depois, seguiram viagem rumo a Congonhas do Campo (MG), o destino definido por Dom Silvério. Chegaram à cidade mineira em 18 de outubro de 1897, quando iniciaram o aprendizado da língua portuguesa e foram apresentados ao bispo de Mariana para iniciar a missão educativa.
Hoje, a memória da partida de 25 de setembro de 1897 representa o marco do projeto iniciado por São Marcelino Champagnat na França e que, em solo brasileiro, encontrou vida. A atitude dos seis Irmãos que deixaram as suas terras representa a semente da missão que, mais de 127 anos depois, continua a transformar vidas por meio da educação evangelizadora.