Artigo escrito pelo Ir. Cassiano Lima Monteiro
Estamos imersos em um tempo marcado pela velocidade da informação. Em poucos segundos, uma notícia percorre o mundo, alcança milhões de pessoas e influencia opiniões, decisões e comportamentos. Entretanto, a mesma facilidade que amplia o acesso à informação também favorece a circulação da desinformação. Nesse contexto, cresce um dos maiores desafios da sociedade contemporânea: construir uma verdadeira cultura do diálogo em meio ao excesso de conteúdos e opiniões.
A desinformação não se resume apenas às chamadas “fake news”. Ela também aparece em discursos manipulados, informações fora de contexto e interpretações superficiais que alimentam preconceito, intolerância e discriminação. Muitas vezes, as pessoas compartilham conteúdos sem verificar a fonte e a veracidade, motivadas pela emoção, pela pressa ou pelo desejo de confirmar aquilo em que já acreditam. Com isso, a comunicação deixa de aproximar e passa a dividir pessoas e sociedades.
As redes sociais, por exemplo, potencializaram esse fenômeno. Os algoritmos tendem a mostrar conteúdos semelhantes aos interesses de cada usuário, criando bolhas de pensamento e aproximação de semelhantes. Nesse ambiente, muitas vezes, o diálogo perde espaço para ataques, cancelamentos e discursos agressivos. Como recorda Rubem Alves, fala-se muito em “oratória”, mas pouco em “escutatória”. Em vez de escutar, muitos apenas desejam responder; em vez de compreender, procuram vencer debates. O resultado é uma sociedade cada vez mais fragmentada, incapaz de conviver com as diferenças.
Por isso, falar em cultura do diálogo é defender uma comunicação mais humana, ética e responsável. Dialogar não significa concordar com tudo, mas reconhecer a dignidade do outro e a importância da escuta. A própria Palavra recorda: “Todo homem seja pronto para ouvir, lento para falar” (Tg 1,19). Uma sociedade democrática depende da capacidade de conversar, argumentar e buscar consensos mínimos para a convivência social. Sem diálogo, prevalecem o radicalismo e a intolerância.
Nesse cenário, a educação possui papel fundamental. A escola, a família e os meios de comunicação precisam formar cidadãos críticos, capazes de analisar informações, identificar manipulações e utilizar a tecnologia de maneira consciente. Educar para a cultura do diálogo é também educar para a empatia, para o respeito e para a responsabilidade coletiva.
Ao pensar nas escolas maristas, essa missão ganha ainda mais sentido e profundidade. Mais do que ensinar conteúdos, somos chamados a criar espaços de comunicação segura, democrática e humanizada. Utilizar os meios digitais é importante e necessário, mas não suficiente. A tradição educativa inspirada por Marcelino Champagnat recorda o valor da presença, da escuta atenta e das relações construídas no cotidiano.
Por fim, em meio à comunicação acelerada e superficial das redes, torna-se essencial cultivar também a comunicação “corpo a corpo”, marcada pelo diálogo, pelo olhar, pelo acolhimento, pelo abraço e pelo afeto. É no encontro humano, no “tato a tato”, que se fortalecem vínculos, se constrói confiança e se educa para a comunicação assertiva e cultura do diálogo.



