Em 1815, Marcelino Champagnat, Jean-Claude Colin e Jean-Marie Vianney foram ordenados diáconos em Lyon

Em Marcelino Champagnat Jean Claude Colin e Jean Marie Vianney foram ordenados diáconos em Lyon

Na manhã de 23 de junho de 1815, em Lyon, França, os seminaristas Marcelino Champagnat, Jean-Claude Colin e Jean-Marie Vianney foram ordenados diáconos, passo decisivo em direção ao sacerdócio. O rito foi presidido por Dom Simon, bispo de Grenoble, que à época substituía o cardeal Fesch, arcebispo de Lyon, então ausente devido à instabilidade política provocada pelo retorno de Napoleão Bonaparte ao poder. A cerimônia ocorreu no Seminário Maior de Lyon, instituição que reunia mais de duas centenas de seminaristas empenhados na revitalização da Igreja francesa, recém-saída das perseguições da Revolução e da Era Napoleônica.

 

A ordenação diaconal marcava a reta final da formação e o compromisso público com a vocação eclesial. No caso de Marcelino Champagnat, natural de Marlhes, esse momento foi especialmente significativo. De origem camponesa e com dificuldades escolares na infância, Champagnat ingressou tardiamente nos estudos e enfrentou inúmeras limitações acadêmicas. Ainda assim, demonstrou perseverança exemplar: cobriu com recursos próprios os custos do enxoval para o seminário, estudou à luz de lamparinas durante a madrugada e superou, com esforço contínuo, as expectativas de seus formadores.

 

No seminário, Champagnat destacou-se pelo empenho intelectual, vida espiritual rigorosa e atenção aos colegas. Ainda durante os anos de estudos, começou a idealizar, com outros seminaristas, uma congregação dedicada à evangelização sob o nome de Maria. Dessa iniciativa, surgiria a Sociedade de Maria, cuja inspiração primeira teve no grupo reunido no Seminário Maior, que incluía, além de Champagnat, Jean-Claude Colin e outros colegas. A devoção a Nossa Senhora foi tão central que, um mês após a ordenação presbiteral, o grupo subiria ao Santuário de Fourvière para consagrar o projeto à Mãe de Deus.

 

A ordenação diaconal de 1815 ocorreu em um momento em que a França vivia tensões políticas e religiosas. Lyon, onde os três foram ordenados, havia sido foco de confrontos ideológicos. Padres eram alvos de hostilidade pública, e muitos seminários sofriam ameaças e revistas por parte das autoridades civis. Ainda assim, Champagnat permaneceu firme.

 

O processo de formação de um sacerdote, à época, incluía vários anos de estudos de Filosofia e Teologia, além de profunda vida espiritual. Antes da ordenação diaconal, o seminarista recebia a tonsura e as ordens menores, rito que, no caso de Champagnat, aconteceu em 6 de janeiro de 1814, solenidade da Epifania. Um ano depois, ele foi admitido ao diaconato. A ordenação presbiteral ocorreria em 22 de julho de 1816, conferida por Dom Louis-Guillaume Dubourg, bispo de Nova Orleans, autorizado pelo cardeal Fesch, já de volta a Lyon.

 

O dia 23 de junho de 1815, portanto, permanece como um marco simbólico e espiritual na história da missão marista. Aqueles jovens seminaristas, ordenados diáconos no mesmo dia, tomariam rumos distintos, mas todos profundamente comprometidos com a fé e a Igreja. Jean-Marie Vianney, canonizado como São Cura d’Ars, tornou-se exemplo de vida pastoral simples e radical; Jean-Claude Colin fundaria a Sociedade de Maria como congregação de padres missionários; e Marcelino Champagnat, com olhar voltado à juventude e aos excluídos da instrução, daria origem ao Instituto Marista, poucos anos depois da ordenação.

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