Há nomes que o tempo não apaga. O Irmão Exuperâncio, nascido Jean-Henri Soulié em 1º de fevereiro de 1879, na aldeia de Ségala, comuna de Cazillac (Lot, França), é um deles. Filho de Pierre Soulié e Pauline Lafaurie, cresceu em uma família de agricultores marcada por fé e união. A missa, a oração e a leitura das vidas dos santos moldaram-lhe o coração que, mais tarde, guiaria sua vida missionária.
Ainda menino, foi conduzido pelo irmão mais velho, o Ir. Anges Louis, ao Juvenato de Notre-Dame de Lacabane, em Cublac, onde amadureceu sua vocação. Ingressou no noviciado em 1893 e, no ano seguinte, recebeu o hábito marista. Desde então, a seriedade e o recolhimento tornaram-se parte de sua vida.
Em 1903, diante das leis anticlericais na França, embarcou rumo ao Brasil com confiança em Deus e desejo de servir. Um ano depois, em Uberaba (MG), professou os votos perpétuos e, com apenas 24 anos, assumiu a direção do Colégio de Franca (SP). Revelava, já, firmeza de caráter e sensibilidade no trato com as pessoas. Seguiram-se anos de trabalho em Mendes (RJ), no Ginásio Nossa Senhora do Carmo e no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, onde sua presença inspirava alunos e Irmãos.
Homem de fé e espírito fraterno, o Ir. Exuperâncio era presença que confortava e encorajava. Tinha o dom de compreender e ajudar os outros a crescerem. Sua bondade, unida à firmeza, fazia dele um superior justo, que ensinava mais pelo exemplo que pelas palavras.
Em 1915, foi nomeado mestre de noviços em Mendes, missão que exerceu com simplicidade e sabedoria. Os jovens Irmãos encontravam nele um formador atento, sempre disponível para escutar e orientar.
Com a morte do Ir. Adorátor, em 1919, foi eleito provincial do Brasil Central, cargo que exerceu até 1928, e, novamente, de 1936 a 1947. Conduziu a Província com equilíbrio e visão. Nesse período, cresceram os colégios, as casas de formação e o número de vocações.
Durante seu governo, nasceram o Colégio Santa Maria e o Juvenato Marcelino Champagnat de Curitiba (1925), além do Colégio São José do Rio de Janeiro (1928). Preocupava-se para que cada nova obra fosse um espaço de educação e evangelização.
Com senso prático e espírito pedagógico, promoveu o crescimento humano e espiritual dos Irmãos. Sua devoção a Nossa Senhora e ao Anjo da Guarda sustentava sua missão.
Em 1953, recebeu a Comenda da Ordem do Cruzeiro do Sul, reconhecimento nacional por sua contribuição à educação, mas sua maior distinção vinha do apreço e da gratidão da família marista.
Mesmo debilitado, continuou servindo. Em 1954, assumiu a Casa de Formação de Curitiba, onde permaneceu até falecer, em 3 de julho de 1957, aos 78 anos, após 63 dedicados à vida marista.
O Irmão Exuperâncio deixou à Província mais que obras: deixou um modo de ser simples, trabalhador, confiante na Providência e próximo dos jovens. Que o seu exemplo nos inspire na caminhada.


