Irmãos de 61 a 80 anos da Região América Sul se reúnem em Curitiba para encontro de integração

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De 9 a 11 de julho de 2025, a cidade de Curitiba foi palco de um encontro vivencial e profundo entre Irmãos Maristas da Região América Sul (RAS), com idades entre 61 e 80 anos e vindos de diversos países da Região. A atividade contou com a presença de aproximadamente 50 Irmãos, com o objetivo de fortalecer a experiência de Deus, compartilhar vivências e renovar o compromisso com a missão marista.

 

O encontro teve como eixos principais o aprofundamento da espiritualidade, a construção de pontes entre os Irmãos da América do Sul e a reflexão sobre a Reconfiguração. Além disso, os participantes foram instigados a fazer memória sobre o chamado vocacional, promover a fraternidade como testemunho de uma vida plena e feliz e, por fim, celebrar o itinerário marista por meio da relação com Jesus, Maria e Champagnat.

 

A jornada começou com momentos de oração contemplativa e comunitária, seguido por palestras, dinâmicas, visitas a alguns espaços da Província Marista Brasil Centro-Sul (PMBCS), além de momentos significativos de integração e convivência.

 

Acolhida, integração e oração

O primeiro dia (9) iniciou com a acolhida aos Irmãos em um momento significativo de oração comunitária, conduzido pelo Ir. Adalberto Batista Amaral (PMBCN), coordenador da Comissão de Formação Permanente da RAS. Ele também deu as boas-vindas a todos e explicou como seria a programação do dia.

 

Na sequência, houve a saudação do Provincial anfitrião, Ir. Vanderlei Siqueira dos Santos (PMBCS). Ele destacou o papel essencial dos Irmãos dessa faixa etária como testemunhas vivas da espiritualidade e fraternidade marista, especialmente em tempos de rápidas transformações sociais e desafios vocacionais. Segundo ele, esses Irmãos são chamados a oferecer profundidade, discernimento e presença profética, contribuindo ativamente para a reconfiguração da RAS como ação do Espírito Santo, sem jamais “aposentar-se” da vida e da missão.

 

Depois, houve dinâmica de integração, para que pudessem se conhecer melhor e refletir sobre a situação atual das Províncias em relação ao número de Irmãos, vocações e vitalidade das obras maristas. Na parte da tarde, o psicólogo Agostinho Busato pôde abordar o tema do cuidado integral e da saúde mental com os participantes, em um momento repleto de diálogo e partilha. O dia terminou com uma Celebração Eucarística.

Reconfiguração

A Reconfiguração foi o tema principal do segundo dia do Encontro (10). O Pe. Rafael Solano trabalhou o tema da esperança a partir da Palavra de Deus, em espírito sinodal, na perspectiva da Reconfiguração. Na sua explanação, comentou que o processo de reconfiguração da Região América Sul será uma experiência sólida, talvez com sabor de eternidade e sinodalidade. E estimulou os Irmãos nesse movimento: “Se não vencermos as nossas fronteiras, nós começaremos a pensar que a esperança é abstrata, e este não é um bom caminho. A esperança exige uma ação”, afirmou.

 

Na sequência, Leonardo Soares, secretário executivo da RAS, fez uma explicação sobre o Plano de Trabalho da Reconfiguração. De acordo com ele, trata-se de um movimento para a vitalidade, viabilidade e sustentabilidade da nossa vida e missão. “Em termos práticos, precisamos avançar na criação e uso de estruturas jurídicas e reimaginar a gestão da missão e vida maristas na Região”, disse.

 

Depois dessa explanação, os Irmãos se reuniram em grupos para discutir sobre o tema. Na reflexão que fizeram, ficou claro que o processo de reconfiguração precisa continuar com o envolvimento dos Irmãos e que é necessário aceitar a realidade que pede mudança.

 

Na sequência, aconteceu uma visita à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O grupo foi recebido pelo Reitor da Universidade, Ir. Rogério Renato Mateucci, que também é membro da Equipe de Reconfiguração da Região América Sul, e agraciado com uma breve apresentação do Coral Champagnat. Após, seguiram para o Centro de Realidade Estendida, um dos espaços mais modernos da universidade, voltado para novas aprendizagens. O dia foi finalizado com um jantar celebrativo tipicamente brasileiro, nas dependências do Centro Marista Champagnat (CMC).

 

Oração, memória e caminhada conjunta

A manhã do último dia de encontro (11) foi marcada pela imersão nos espaços do Memorial Marista. Iniciou-se com um momento de oração na Capela Mãe da Misericórdia e, na sequência, todos foram convidados a uma peregrinação orante nos três andares do Memorial. A visita, mediada por Adriano Cecatto, coordenador da Equipe de Centros de Memória da RAS, levou os Irmãos para um retorno às origens da missão marista. Foi possível conferir a cronologia de fatos marcantes da história do Instituto, bem como propiciar uma reflexão sobre a sua história pessoal na vida marista.

 

Depois, os Irmãos puderam apreciar mais detalhes sobre o Plano de Formação Permanente da RAS, que é uma proposta aprofundada de desenvolvimento para os Irmãos e segue em consonância com o Plano de Formação Inicial da Região, visando animar no carisma marista e responder aos desafios contemporâneos.

 

Trata-se de um robusto Plano de Formação Permanente, com foco no desenvolvimento integral (dimensões espiritual, intelectual, emocional e de autocuidado). Estruturado em ciclos trienais, o plano propõe uma formação contínua e contextualizada, ancorada no carisma de São Marcelino Champagnat e na vivência fraterna, com temas como “Ser Irmão”, “Vida Fraterna” e “Missão”. A iniciativa busca fortalecer a identidade marista, promover a interculturalidade e responder aos desafios contemporâneos da vida religiosa, com ações articuladas entre províncias e encontros regionais presenciais.

 

Durante a tarde desse último dia, os Irmãos participaram de uma profunda experiência espiritual intitulada “No caminho de Emaús”, inspirada no relato bíblico dos discípulos que reconheceram Jesus ao partir o pão. A atividade foi dividida em três momentos: inicialmente, cada participante refletiu de maneira individual sobre sua caminhada vocacional; em seguida, em duplas, compartilharam como estão vivendo esta etapa da vida e o que mais os interpelou no encontro; por fim, em grupos de quatro pessoas, criaram um símbolo representativo para ser partilhado na celebração eucarística. A proposta favoreceu o diálogo fraterno, o discernimento pessoal e comunitário, e a expressão simbólica da fé e da missão marista.

 

Encerramento e despedida

O encontro terminou com uma Celebração Eucarística, seguida de um momento de confraternização dos Irmãos. Missão cumprida para os membros da Equipe de Formação Permanente da Região América Sul — Ir. Adalberto Amaral (Brasil Centro-Norte), Ir. Ismael Gadiel López Poiquí (Santa María de los Andes), Ir. Anacleto Peruzzo (Cruz del Sur), Ir. Alberto Guillermo Aparicio (Cruz del Sur) e Ir. Ivonir Antonio Imperatori (Brasil Sul-Amazônia) — que organizaram um encontro repleto de espiritualidade, memória e esperança.

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