Instituto Marista promove seminário sobre proteção integral

Provinciais, Irmãos e leigos de todo o Instituto Marista participaram do Seminário sobre Proteção e Salvaguarda da Criança, ...
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Provinciais, Irmãos e leigos de todo o Instituto Marista participaram do Seminário sobre Proteção e Salvaguarda da Criança, organizado pela Comissão Internacional para a Proteção da Criança. O evento foi realizado na Casa Geral, em Roma (Itália), entre os dias 17 e 21 de março. Representando a PMBCN, participaram os Irmãos José de Assis Elias de Brito, superior provincial, e Dener de Souza, coordenador do Comitê Provincial de Proteção Integral e diretor do Colégio Marista Maceió.

 

O Ir. Ken McDonald, presidente da comissão e vigáriogeral, foi quem primeiro acolheu os participantes, com especial destaque à realidade do Instituto e à necessidade de se permanecer transparente e responsável ao abordar a questão do abuso em todo o Instituto. Ele também apresentou os resultados da pesquisa de monitoramento, indicando as estatísticas da enquete feita pela comissão em todas as províncias.

 

O Ir. Ben Consigli, conselheiro-geral e membro da comissão, tratou sobre a definição de vulnerabilidade e de adultos vulneráveis. Ele enfatizou os elementos que contribuem para a vulnerabilidade, as relações de poder e seu impacto sobre as vítimas. O Ir. Ben também destacou o diferencial de poder no contexto da missão e da formação dos Irmãos. Tudo isso foi feito com o envolvimento dos participantes no exame de estudos de caso e na contribuição de comentários sobre cada caso apresentado.

 

Outra contribuição ao seminário partiu de Nancy Camillery, do Distrito da Europa Centro-Oeste. Ela apresentou a experiência vivida pelo difícil tema do tratamento dos perpetradores. Desde o cumprimento estrito das leis de cada país e suas consequências, torna-se relevante criar comissões interdisciplinares de acompanhamento, levando em conta as vítimas em primeiro lugar. Talvez, às vezes, com o tempo, o perpetrador chegue a dizer: “Eu reconheço, eu lamento”. Nesse processo, a informação no ambiente imediato do perpetrador é importante, assim como o acompanhamento das vítimas secundárias ou colaterais.

 

Também foi apresentado outro caso real relacionado a reparação e acompanhamento às vítimas, por Marcela Hormazábal, do Chile (Província Santa María de los Andes). Em sua apresentação, ela sintetizou a trajetória dos maristas em seu país, de 2017 até o presente, em relação à proteção infantil, desde os primeiros casos de abusos conhecidos naquele ano até a acolhida e reparação às vítimas de hoje. “Foi um caminho de aprendizados, dor compartilhada, certeza na importância da acolhida e escuta, empatia e decisões.”

 

Marcela comentou alguns aprendizados do processo: como o medo interveio na resposta oferecida? Como se quantifica o dano causado ou as reparações a serem oferecidas? E, por sua vez, a convicção de que a escuta é parte imprescindível do processo, que a resposta é da Instituição como um todo, e que um compromisso profundo na promoção dos direitos das crianças é fundamental para dar credibilidade à resposta.

 

O Instituto Marista segue empenhado em promover ambientes cada vez mais seguros a todas as crianças, adolescentes e jovens que são atendidos nas milhares de obras educativas e sociais. Um ambiente seguro é aquele que permite à criança comunicar sua situação e à comunidade educativa expressar sua vontade de cuidar de seus membros. Começa-se ajudando a criança a estar consciente e entender que o que está acontecendo é um abuso, interpretando seus sentimentos e o que está acontecendo. A comunidade educativa deve criar um ambiente que favoreça a expressão da vítima: tempo para o diálogo, lugar favorável à confiança, pessoa próxima com capacidade de escuta. Superando o medo de não ser acreditado ou de se tornar vítima, e o impacto em sua família e ambiente, a criança poderá se expressar e quebrar o silêncio, abrindo oportunidade para a reparação.

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