O Irmão Adorátor, nascido Benoit Gautheron, em 24 de maio de 1855, na localidade rural de Beaubery, na França, veio de uma numerosa família de lavradores, da qual outros três irmãos também se tornaram Irmãos maristas. Desde jovem, construiu um sólido percurso intelectual e espiritual, que marcou toda a sua trajetória missionária e contribuiu significativamente para a consolidação da presença marista no Brasil.
Chegou ao país em 1903, em um momento especialmente difícil para a missão marista. Uma epidemia de febre amarela assolava o Rio de Janeiro e havia vitimado o primeiro superior dos seis pioneiros, o Irmão Júlio Andrônico, falecido em março daquele ano. A pedido do superior-geral, Ir. Adorátor foi designado para assumir a liderança do então Distrito do Brasil, trazendo consigo não apenas formação e experiência, mas profundo zelo pelo carisma fundacional de São Marcelino Champagnat.
Em 1908, com a elevação do Distrito à condição de Província Marista do Brasil Central, tornou-se seu primeiro provincial, exercendo mandato até 1911 e reassumindo a função entre 1914 e 1918. Durante sua gestão, fundou e organizou diversas obras educativas em cidades como Franca, Santos, São Paulo, Varginha e Uberaba, além de promover a aquisição de propriedades, estruturar comunidades religiosas e fomentar a formação dos Irmãos.
“A nossa Província, não podemos negar, teve maravilhoso desenvolvimento. Talvez não tenhamos refletido na parte do progresso, realizado entre nós, que toca aos antigos. A nossa atividade torna-se fecunda pelas orações deles”. (Trecho de Vingt Ans de Brésil)
Sua visão estratégica se concretizou de maneira especial com a fundação da chamada “L’Hermitage Brasileira”, na cidade de Mendes (RJ), que passou a abrigar a Casa Provincial, acolher Irmãos idosos e apoiar a formação inicial e a adaptação dos missionários franceses recém-chegados.
Ir. Adorátor era reconhecido por sua inteligência organizacional, espírito de fé e atenção às necessidades da Igreja e dos Irmãos. Sua produção intelectual, sempre em francês, foi vasta, destacando-se a obra “Vingt Ans de Brésil”, em que narra os 20 primeiros anos da missão marista no Brasil com lucidez, detalhe e profundo senso de gratidão à Providência.
Sua morte ocorreu de forma súbita em 23 de maio de 1919, às vésperas de seu 64º aniversário, durante um passeio a cavalo nas cercanias da Casa Provincial, em Mendes, quando sofreu uma queda fatal. Sua partida encerrou uma etapa decisiva na história da Província, mas deixou um legado duradouro de missão, organização e fidelidade ao carisma.
Na memória da PMBCN, Ir. Adorátor é lembrado como autêntico missionário, grande administrador e superior zeloso, cuja vida representa um elo entre os ideais do Hermitage e a realidade da missão marista no Brasil.