Ao longo do mês de setembro, a Igreja no Brasil celebrou o Mês da Bíblia, tempo de aprofundamento espiritual e de maior intimidade com a Palavra de Deus. Instituída em 1971, essa tradição nasceu a partir da proposta renovadora do Concílio Vaticano II, que incentivou todos os cristãos a aproximarem-se das Sagradas Escrituras. O mês foi escolhido em memória de São Jerônimo, celebrado no dia 30, destacado tradutor e estudioso da Bíblia, que dedicou a vida a torná-la acessível ao povo de Deus.
Em 2025, a reflexão se voltou para a Carta aos Romanos, com o lema: “A esperança não decepciona” (Rm 5,5). Uma das obras mais densas do apóstolo Paulo, a carta reafirma que a justificação vem da fé em Jesus Cristo e recorda que o Batismo faz a todos participantes do mistério pascal, chamados a viver segundo o Espírito e a expressar a fé em gestos concretos de amor, fraternidade e unidade.
Esse tema está em sintonia com o Ano Santo da Encarnação de Jesus Cristo, que convida católicos a serem peregrinos de esperança. Em meio às incertezas do mundo atual, a Palavra recorda que a verdadeira esperança não se apoia em ilusões passageiras, mas nasce do amor fiel de Deus, revelado em Cristo e derramado nos corações pelo Espírito Santo.
Para os Maristas de Champagnat, o Mês da Bíblia tem um significado ainda mais especial. São Marcelino deixou como legado a convicção de que “não se pode educar sem a luz do Evangelho”. Desde os primeiros Irmãos, a leitura e a meditação da Palavra foram fundamento da vida comunitária, da oração e da missão educativa. Ao longo da história, a tradição marista se fortaleceu no desejo de tornar Jesus Cristo conhecido e amado, oferecendo às crianças e aos jovens o saber acadêmico e a sabedoria que vem da Sagrada Escritura.
Encerrar este mês é, portanto, renovar o compromisso: deixar que a Palavra de Deus ilumine o caminho, inspire escolhas e fortaleça a missão junto às juventudes. Que ela continue a ser, nas comunidades e obras, lâmpada para os pés e luz para os passos (cf. Sl 119,105).
Que se possa, como Champagnat e Maria, a Boa Mãe, viver com confiança e simplicidade o chamado de Deus, sustentando-se pela certeza de que, de fato, a esperança em Cristo nunca decepciona.