O Irmão Isidoro Régis, de família Dumont, chegou ao Brasil em 18 de maio de 1902, em um momento considerado crítico para a jovem Província Marista do Brasil Central. Vinha acompanhado, a bordo do vapor Alpes, de cinco Irmãos, a saber: Mário Abel, M. Evremond, Ambrósio Firmino, Exuperâncio e Mário Libório. Sua chegada foi saudada como providencial: “O verdadeiro fundador do Brasil Central, que salvou essa Província, a desenvolveu e a transformou no que é hoje […] foi o Ir. Isidoro Dumont” (Vinte Anos de Brasil).
Homem de sólida formação, possuía vários diplomas, incluindo licenciatura em Matemática, além de certificados reconhecidos pelo governo francês. Sua competência granjeou prestígio entre inspetores e autoridades, conferindo aos Irmãos no Brasil a fama de sábios. No início, enfrentou as dificuldades de adaptação ao idioma, mas logo assumiu funções no magistério e, em seguida, no governo das comunidades e colégios.
No Ginásio do Carmo, em São Paulo, destacou-se como diretor, garantindo ordem e regularidade, e mais tarde foi escolhido para a direção do Colégio Diocesano, cuja posse marcou um novo tempo para a Província. Sua liderança firme, unida a um profundo espírito religioso, fez florescer tanto o aspecto pedagógico quanto a vida comunitária.
Em 1911, foi nomeado provincial, notícia recebida com grande alegria nas comunidades. Sua eleição coincidiu com um período de reformas educacionais no Brasil, como a supressão da sexta série pelo ministro Rivadávia Corrêa, mudanças que poderiam ter ameaçado os colégios católicos. Contudo, Isidoro Dumont não se intimidou: reorganizou programas, assegurou a continuidade da obra e até ampliou o número de alunos.
O novo provincial acumulou, por algum tempo, a direção do Colégio Diocesano e a administração da Província — situação difícil e incompatível, mas conduzida com energia. Reconhecido como “provincial nato”, era respeitado pela competência administrativa, pela clareza de pensamento e pela fé profunda.
Entre 1911 e 1913, promoveu visitas às comunidades, animou os Irmãos com palavras fortes e práticas, cuidou da disciplina e do progresso acadêmico, e impulsionou iniciativas editoriais, como a coleção FTD, que se tornaria referência nacional.
Ao término do triênio, manifestou o desejo de não ser reconduzido ao cargo, alegando o peso do encargo. Apesar dos pedidos dos Conselheiros para que permanecesse, foi substituído em 1913. Demonstrando humildade, colocou-se à disposição para qualquer função e retornou ao trabalho docente e administrativo, colaborando intensamente na área editorial e financeira da Província.
Homem de visão, vigor e fé, o Irmão Isidoro Régis deixou marcas profundas na história Marista no Brasil. Sua ação salvou a Província nascente em seus primeiros anos, consolidou a vida escolar e religiosa das comunidades, e lhe rendeu a gratidão de gerações de Irmãos e ex-alunos.
Curiosidades: o nome do Irmão Isidoro Régis permanece vivo em diferentes espaços acadêmicos e educacionais. No Paraná, uma escola estadual cívico-militar leva o nome Escola Estadual Cívico-Militar Irmão Isidoro Dumont, perpetuando sua memória entre novas gerações. Sua figura também é objeto de estudo em produções científicas: foi citado em teses de doutorado da UNESP, UFJF e UFMG, no XIV Seminário Temático da UFSC e em artigos de periódicos de destaque, como a Revista Brasileira de Educação (Vol. 18, 2018, Mestrado/UES), que ressaltam sua contribuição histórica e pedagógica.