No dia 5 de outubro de 1904, na cidade de Pinheiros, em Portugal, nasceu João de Neiva Pereira Vittoria, que mais tarde se tornaria o Ir. João de Deus. Foi o último provincial da antiga Província Marista do Brasil Central, exercendo a missão entre 1953 e 1958. Filho de Manoel Pereira Vittoria e Maria Vittoria da Conceição, chegou ainda jovem ao Brasil e, com apenas 11 anos, ingressou no juvenato de Mendes (RJ), onde também realizou o noviciado e o escolasticado.
Educador de vasta cultura e reconhecida inteligência, lecionou Português, Latim, Inglês, História Geral e História do Brasil. Cultivava particular apreço pela literatura e pelos estudos históricos, colaborando na elaboração de obras da Coleção FTD destinadas ao ensino de História. Sua produção alcançou reconhecimento público: em 1944, o Jornal do Comércio destacou a qualidade de sua obra História Geral, elogiando clareza de linguagem, amplitude de conhecimentos e segurança do método. Também publicou artigos em revistas da Província, marcados por erudição e consistente reflexão pedagógica.
Após anos dedicados ao magistério e à direção de colégios, foi eleito provincial da Província Marista do Brasil Central em 1953. Ao assumir o governo provincial, manifestou profunda consciência da responsabilidade recebida, enfatizando que o verdadeiro mérito do serviço não reside apenas no êxito das iniciativas, mas, sobretudo, na fidelidade ao dever e à vocação assumida. Durante seu provincialato, novas obras educacionais foram iniciadas, ampliando a presença marista em diferentes regiões do país, entre elas: o Ginásio Coração de Jesus, em Londrina (PR), em 1955; o Instituto Nossa Senhora Medianeira, em Campinas (SP), em 1956; o Ginásio São José, em Montes Claros (MG), em 1957; e o Colégio de Maringá (PR). Seu período de governo coincidiu com um momento de reorganização institucional da presença marista no Brasil, que, posteriormente, levaria à divisão da antiga Província Brasil Central em novas circunscrições.
Concluído o provincialato, continuou prestando relevantes serviços à missão marista. Atuou como diretor do Colégio Marista da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 1961 e como ecônomo provincial em 1964. Em 1966, foi transferido para a Província de Portugal, na qual continuou dedicando-se à educação e à formação religiosa. Nesse período, também atuou como missionário em Moçambique, no Alto Malócuè, ampliando ainda mais a dimensão missionária de sua vocação.
Mesmo distante do Brasil, conservava forte ligação afetiva com Mendes e com a história vivida na Província. Em correspondência enviada em 1969, por ocasião das celebrações do cinquentenário da primeira Casa Provincial Marista, recordou com emoção os anos de formação e as experiências que marcaram sua vida religiosa naquele lugar.
Em setembro de 1975, solicitou sua reincorporação à Província do Rio de Janeiro, pedido que foi acolhido com alegria pelos Irmãos. No dia 10 de outubro daquele mesmo ano, retornou ao Brasil, sendo recebido no Aeroporto do Galeão por Irmãos, ex-alunos e amigos, que o acompanharam até o Colégio da Tijuca.
Pouco tempo depois de sua chegada, porém, seu estado de saúde se agravou. Exames médicos revelaram a presença de um tumor maligno já em estágio avançado. Atendendo ao seu desejo, foi conduzido para Mendes, local tão significativo em sua trajetória religiosa. Ali recebeu os cuidados da comunidade, vivendo os últimos dias com serenidade e espírito de fé. Em 16 de novembro, recebeu a unção dos enfermos e, cercado pela presença fraterna dos Irmãos, faleceu em Mendes no dia 29 de novembro de 1975.
A vida e a missão do Ir. João de Deus permanecem como testemunho de dedicação à educação, fidelidade à vocação marista e compromisso com a expansão da missão educativa do Instituto em um período decisivo da história das províncias no Brasil.



