Papa Leão XIV canoniza sete novos santos na Praça São Pedro

Papa Leão XIV canoniza sete novos santos na Praça São Pedro

O Papa Leão XIV presidiu a celebração eucarística com o rito de canonização de sete beatos em 19 de outubro, Dia Mundial das Missões, na Praça São Pedro, na Cidade do Vaticano. A missa foi transmitida ao vivo nos canais do Vatican News e contou com comentários em português. Foi possível assistir às 5h30 no horário de Brasília. Divulgado pelo Departamento de Celebrações Litúrgicas Pontifícias, o comunicado assinado pelo mestre de Cerimônias Litúrgicas Pontifícias, Mons. Diego Ravelli, revela os novos beatos: Inácio Choukrallah Maloyan, Pedro To Rot, Vincenza Maria Poloni, Carmen Elena Rendiles Martínez, Maria Troncatti, José Gregorio Hernández Cisneros e Bartolo Longo.

 

Inácio Choukrallah Maloyan nasceu na Turquia, em 1869. Foi bispo de Mardin dos Armênios e morto durante episódios de violência contra os cristãos naquela região. Na prisão, chegou a consagrar o pão para confortar outros correligionários. Foi beatificado em 2001 pelo Papa João Paulo II. A devoção a Maloyan é forte, especialmente pela Igreja Católica Armênia, e há provas da sua intercessão.

 

Pedro To Rot nasceu na Papua-Nova Guiné em 1912. Catequista, foi preso durante a Segunda Guerra Mundial por japoneses que ocuparam o país. Sofreu o martírio com uma injeção de veneno letal, motivado por sua fé cristã. Foi beatificado por João Paulo II em 1995, em Port Moresby, capital da Papua-Nova Guiné. Em 2024, os bispos do país e também das Ilhas Salomão solicitaram a dispensa de comprovação de milagre para a canonização, alegando dificuldades em documentar os milagres, embora haja diversos indícios.

 

Vincenza Maria Poloni é italiana e nasceu em 1802. Sob a direção espiritual do beato Carlo Steeb, dedicou tempo e atenção aos idosos e doentes crônicos. Em 1836, durante uma epidemia de cólera, colocou a sua vida em risco para apoiar os enfermos. Em 2 de novembro de 1840, juntou-se a três companheiras em dois quartos para dedicar-se em tempo integral ao serviço de cuidado a idosos e doentes. Logo formou-se uma comunidade que veio a se tornar o Instituto das Irmãs da Misericórdia, pelo qual é reconhecida como fundadora. Foi beatificada pelo Papa Bento XVI em 2008 e tem dois milagres reconhecidos: a cura da Irmã Virginia Agostini, em 1939, e a cura de uma mulher, no Chile, entre 2013 e 2014.

 

Carmen Elena Rendiles Martínez nasceu na Venezuela, em 1903. Fundou as Irmãs Servas de Jesus (Servas de Jesus da Venezuela), que atuam em prol do cuidado com os pobres, os doentes e os sacerdotes. Atuou com suas irmãs em paróquias, escolas e ao lado dos mais necessitados. Foi beatificada em 2018 pelo Papa Francisco. A cura atribuída à beata deu-se em uma mulher com graves sequelas de intervenções cirúrgicas na cabeça. Ao tocar no quadro de Madre Carmen, começou subitamente a andar, se comunicar e se alimentar.

 

Maria Troncatti é italiana, nascida em 1883. Foi religiosa da Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora, além de missionária. Foi enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial e depois partiu para o Equador, onde se dedicou ao serviço das populações da selva. Em uma viagem com destino a Quito, em 1969, morreu em um acidente de avião. Foi beatificada pelo Papa Bento XVI em 2012. Para a canonização, é considerado o milagre de um homem indígena, que sofreu um acidente na cabeça em 2015. O cunhado do ferido invocou Maria Troncatti e, após 11 dias em coma, o paciente acordou e recebeu alta, embora ainda em condições graves. Em 2022, um exame médico constatou a cura total do paciente, sem sequelas.

 

José Gregorio Hernández Cisneros foi um leigo nascido na Venezuela. Bacharel em Filosofia e médico de profissão, dedicou-se a ajudar os mais necessitados, sendo considerado “o médico dos pobres”. Morreu vítima de um acidente de carro, em 1919, quando se deslocava para atender um enfermo. Foi beatificado em 2011 pelo Papa Francisco. Sua canonização, solicitada em 2024, foi aceita pela Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos.

 

Bartolo Longo foi um italiano nascido em 1841. Leigo, devoto de Maria, prestou apoio à educação cristã dos agricultores e das crianças. Fundou, junto à esposa, o Santuário do Rosário, em Pompeia, e a Congregação das Irmãs que leva o mesmo nome. Ficou conhecido como “apóstolo do Rosário” e “instrumento da Providência”. Em 1980, foi beatificado pelo Papa João Paulo II. A canonização de Bartolo Longo, solicitada com dispensa do milagre, foi aceita por sua obra ser reconhecida como modelo de santidade atual e universal.

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