Ser Marista é sonhar o mundo

Ser Marista é sonhar o mundo. Rosa LiLy, voluntária marista interprovincial.

Por Rosa Lily – Voluntária

 

Posso dizer que essa frase evoca minha decisão de realizar um voluntariado internacional de longa duração, que responde a um projeto pessoal de vida que venho sonhando há muitos anos. Certamente, não é uma decisão fácil nem leve, pois exige coragem.

 

Meu nome é Rosa Lily Tejerina Alvarez, trabalho no Colégio Marista de Santa Cruz de la Sierra – Bolívia. Sou ex-aluna e catequista marista, membro da comunidade compartilhada do Barrio Lindo, da Província Santa María de Los Andes, e sou voluntária marista internacional de longo prazo. E foi pelo exemplo de Marcelino Champagnat que me senti inspirada a viver a experiência de um ano fora do meu país; tudo começou com um “sim”.

 

Meu destino foi o Brasil, onde a Província Marista Brasil Centro-Norte (PMBCN) me acolheu e recebeu, e, embora o idioma pudesse ser um desafio, desde o início eles se empenharam em me receber com uma hospitalidade humana que me surpreendeu, uma acolhida que não diminuiu durante o tempo em que estive aqui, sempre atentos a qualquer detalhe ou necessidade que eu tivesse. Essa atenção se estende desde minha comunidade até a escola e as pessoas que trabalham na província em seus diversos setores, Irmãos e leigos, tratando-me sempre com um sorriso no rosto e com carinho nos abraços.

 

Em abril de 2024, cheguei ao município de Januária, no norte do estado de Minas Gerais, à Escola Marista Guadalupe. Aqui, cheguei para fazer parte da Comunidade Marista Mista Nossa Senhora de Guadalupe. Junto com os Irmãos José Augusto Alves, Romero Rodrigues Ferreira e José Valter Pereira Mendes, e com a leiga Maria Goretti Machado, iniciamos uma experiência inovadora na PMBCN. A convivência com eles se desenvolveu de maneira rápida, todos imersos no carisma marista. Aprendemos a conviver e a caminhar como comunidade — como qualquer grupo de pessoas que vivem juntas pela primeira vez —, pois foi a maturidade e o respeito, além da comunicação aberta e da empatia mútua, que levaram à formação de laços de família e fraternidade.

 

Vim com uma palavra em mente para viver esse ano: “adaptar”; adaptar-me à cultura, ao idioma, à convivência e aos modos diferentes de fazer as coisas. Não é uma experiência para ser vivida com a mente e o coração fechados, por isso decidi vivê-la plenamente.

 

Uma frase que levo comigo por onde vou é: viva a fé no cotidiano. Assim, cada dia era para mim um convite para aprender algo novo, para fazer o Evangelho de Jesus ganhar vida, aqui na escola, onde tive a oportunidade de auxiliar nas aulas de inglês e de interioridade, oferecer formações a estudantes, professores e colaboradores, ajudar na área pastoral e na cozinha; e, na comunidade, onde pude apoiar o grupo dos vocacionados (NAV) e acompanhar os fiéis das comunidades paroquiais.

 

Consegui perceber que, embora possamos ter diferentes maneiras de fazer as coisas de uma província para outra, de uma escola para outra, o importante é que o carisma é o mesmo. Fui testemunha das mudanças que a presença marista trouxe para um grupo humano que nunca tinha ouvido falar de Marcelino Champagnat e foi realmente gratificante abrir caminho ao lado de educadores que foram respondendo os desafios que a realidade local apresentava, abraçando a ideia de que, para educar, é preciso amar. Sinto uma imensa felicidade por ter presenciado a evolução das crianças e dos jovens, que se abriram para uma educação baseada no respeito, nas normas e no afeto; todos juntos se transformando em uma comunidade marista que caminha de mãos dadas com Marcelino.

 

Tive a oportunidade de participar de diferentes experiências da PMBCN: o Retiro Provincial, a missão vocacional em Teresina, as aulas de espanhol para os pré-postulantes em Vila Velha, a Assembleia e 8ª Capítulo Provinciais, além de poder visitar as comunidades de Recife, Maceió, Aracati e Fortaleza. Em cada momento e lugar, os Irmãos e leigos me receberam com o mesmo grau de carinho e calor humano.

 

Posso dizer com total certeza que minha experiência de voluntariado não se tratou apenas de vir para servir e transmitir conhecimentos e experiências maristas, mas também de receber, no aspecto humano, inclusive mais do que eu esperava. Tenho o coração cheio de gratidão, alegria e amor por este lugar que me recebeu de braços abertos, onde me senti querida, apoiada e cuidada. Ao retornar, levarei comigo nomes, rostos, abraços, sorrisos e a certeza de que ser marista é sonhar o mundo.

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