Mártires de Bugobe: há 29 anos, quatro Irmãos foram mortos em campo de refugiados

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No dia 31 de outubro, o Instituto faz memória do martírio de quatro Irmãos maristas que foram mortos no campo de refugiados de Bugobe, na República Democrática do Congo. Os Irmãos Servando Mayor, Miguel Ángel Isla, Fernando de la Fuente e Júlio Rodriguez atuavam há mais de um ano no campo de refugiados no Congo, na fronteira com Ruanda. Os refugiados fugiram no dia 31 de outubro e os maristas ficaram para acolher as pessoas quando retornassem. Na noite desse dia, foram assassinados.

 

No contexto da Guerra Civil da Ruanda, muitas pessoas da etnia hútus fugiram, sobretudo para o Congo (antigo Zaire), e formaram campos de refugiados. Os maristas chegaram ao campo de Nyamirangwe, em Bugobe, em agosto de 1994. Meses antes, houve um genocídio que resultou em, ao menos, 500 mil mortes. Seis Irmãos ruandeses foram os primeiros a ocupar esse espaço e auxiliar na educação dos refugiados.

 

No acampamento, havia cerca de 30 mil pessoas, sob administração da Cruz Vermelha. Os Irmãos trabalhavam no ensino, atendendo 4 mil alunos. Viviam em precárias condições de saúde e corriam risco de vida.

 

A partir de setembro de 1995, os Irmãos da África foram progressivamente substituídos pelos Irmãos Servando e Miguel. O Ir. Fernando chegou do Chile em fevereiro de 1996. Já o Ir. Júlio foi completar a comunidade em 1996, após a Páscoa.

 

Os novos Irmãos atuaram também com os enfermos e na alimentação de 300 crianças. Atuaram na remoção dos mais doentes e também em um moinho que ajudava as famílias a terem farinha. Com o passar do tempo, eles sabiam do perigo que corriam. O Ir. Miguel Ángel chegou a escrever: “Agora estou mais consciente da situação em que me encontro. Por momentos, um medo surdo aflora-me na consciência, como clarões vivos e fugazes. Mas sei bem em quem pus minha confiança e vou com alegria ao acampamento dos refugiados… Este mundo ocidental não é para mim; há nele muita abundância e aqui muita necessidade; mas aqui o homem é mais humano”.

 

Na manhã do dia 31 de outubro de 1996, os refugiados fugiram e as milícias interhamwe, do governo anterior de Ruanda, invadiram o campo e, por volta das 20 horas do mesmo dia, os Irmãos são assassinados. Durante dias depois, as milícias permaneceram no local onde se abrigavam os Irmãos, não permitindo nenhuma aproximação, porque afirmavam que os religiosos estavam presos por serem espiões. No dia 14 de novembro, os quatro cadáveres foram extraídos de uma fossa e sepultados no noviciado de Nyangezi.

 

O Ir. Benito Arbués, superior-geral à época, durante celebração litúrgica em homenagem aos quatro Irmãos assassinados, explicou que, desde 23 de outubro de 1996, ano do massacre, os telefonava. Ele afirmou que os convidava a se retirar do lugar, mas que o Ir. Servando dizia que não poderiam abandonar aqueles que já estavam abandonados por todos e reforçava que a decisão da comunidade era de permanecer. Segundo o Ir. Benito, na manhã do dia 31, Servando telefonou à Casa Geral e alertou: “Todas as pessoas saíram do campo de Nyamirangwe. Estamos sozinhos. Esperamos um ataque de um momento a outro. Se de tarde não telefonarmos, será mau sinal. O mais provável é que nos tirem o radiotransmissor e o telefone. A região está muito agitada. Os refugiados fogem sem saber aonde, e é muito notória a presença de infiltrados e de pessoas violentas”.

 

No mesmo dia, da França, a última conversa ocorreu às 13h50. O Ir. Servando disse ao superior-geral: “Ficamos novamente sozinhos; talvez os refugiados voltem outra vez, porque não sabem aonde ir. Ficamos, porque não queremos misturar-nos com os militares nem com os grupos armados”.

 

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