Outubro é celebrado pela Igreja Católica como Mês Missionário, um tempo especial de oração, reflexão e compromisso com a missão evangelizadora da Igreja. Essa tradição nasceu em 1926, quando o Papa Pio XI instituiu o “Dia Mundial das Missões”, desejando que todo o Povo de Deus renovasse sua consciência missionária e apoiasse, de modo espiritual e concreto, a obra de levar o Evangelho a todos os povos. A missão, porém, não é apenas um evento específico do mês de outubro e, sim, o próprio coração da identidade da Igreja, que existe para evangelizar. Como recorda o Papa Francisco na Evangelii Gaudium, todo batizado é chamado a ser missionário, pois a experiência do encontro com Cristo nos impulsiona a testemunhar seu amor e a servir com compaixão, sobretudo aos mais pobres e esquecidos. Nesta edição, apresentamos a história da Comunidade da Paz (ComPaz), fundada em 2004, no município de São Sebastião de Lagoa de Roça (PB), por meio do trabalho missionário do Ir. Gil Mariano, também conhecido como Ir. Salatiel Fraciscano do Amaral.
A ComPaz é formada por leigos, mas tem em seu berço o apoio dos Irmãos Maristas, sobretudo do Ir. Salatiel. “Desde o ano de 2001, um grupo de rapazes e moças, que faziam parte de um Grupo de Jovens na cidade de Lagoa Seca (PB), reunia-se semanalmente para combinar atividades na paróquia local. Em virtude do carisma do grupo, o nome escolhido foi Jovens da Paz em Cristo”, recorda Israel Anderson, membro desde a fundação, ao destacar a origem da caminhada. De acordo com ele, a experiência comunitária surgiu da amizade e do desejo de ampliar a ação pastoral. A comunidade evoluiu, portanto, para um projeto de vida comum inspirado em referências maristas e franciscanas.

O vínculo com os maristas começou em 2002, quando o Ir. Salatiel, recém-chegado a Lagoa Seca, foi convidado a substituir outro Irmão em um encontro vocacional do, à época, Grupo de Opção de Vida (GOV). Na ocasião, apresentou reflexões sobre vida comunitária e missão, compartilhando experiências que acompanhava em Sergipe. O conteúdo despertou interesse imediato dos jovens, que já alimentavam o desejo de viver em comunidade. Após o encontro, Israel buscou o Irmão para apresentar o projeto em gestação. A partir desse diálogo, teve início um acompanhamento sistemático, com reuniões semanais, estudos sobre sacramentos e visitas a grupos juvenis urbanos e rurais, processo que deu consistência formativa e espiritual à futura Comunidade da Paz.
Antes da fundação oficial, o grupo passou por experiências de discernimento para verificar a viabilidade da vida em comum. Em 2003, foi descoberto um sítio pertencente às Irmãs Franciscanas. Na ocasião, foi analisada a possibilidade de arrendar o espaço para a comunidade, o que não se sucedeu. De todo modo, o acolhimento inicial e o contato frequente intensificaram o desejo do grupo de permanecer ali.
No mesmo período, o Ir. Salatiel recebeu a visita do provincial da PMBCN, Ir. Claudino Falchetto, que conheceu a caminhada do grupo e destacou que, se a obra fosse de Deus, se sustentaria apesar das dificuldades. Na ocasião, o Ir. Claudino relatou um episódio relacionado à Medalha de São Bento. Inspirados por essas palavras, Anderson e outros membros adquiriram medalhas em Campina Grande e lançaram uma delas sobre o telhado de um quiosque do sítio. Pouco tempo depois, os maristas decidiram adquirir o sítio e repassá-lo para que os jovens pudessem consolidar o projeto de vida comunitária. Em 10 de março de 2004, os primeiros integrantes se mudaram para o local. O Ir. Salatiel chegou a viver um período com o grupo, quando precisou partir para João Pessoa, convocado pela Província. Mesmo à distância, seguiu o acompanhamento formativo com a comunidade.

De acordo com Israel Anderson, a espiritualidade da ComPaz “se inspira em São Francisco de Assis (pobreza e amor à natureza), São Bento (contemplação e palavra, trabalho no campo, ora et labora) e São Marcelino Champagnat (simplicidade, vida comunitária, devoção a Nossa Senhora, trabalho junto aos jovens e a certeza de que Deus nos ama)”. Esses fundamentos orientam atividades como oração do terço nas casas, celebrações com famílias no Mês da Bíblia, itinerário mariano em maio, encontros de Natal e festas para crianças.
Entre as tradições da comunidade está o uso da cruz, entregue pelo Ir. Antonio Carlos Machado Ramalho de Azevedo, que foi por duas vezes superior da antiga Província Brasil Norte, como símbolo de compromisso com a vida fraterna.
A Comunidade da Paz também oferece acolhida para retiros pessoais e comunitários, com disponibilidade para momentos de oração e reflexão. “A comunidade nasceu no coração de Deus. Podemos ver os frutos disso na vida das pessoas, que vivenciam experiências profundas de fé e amor. Os milagres e as transformações mostram que as atividades pastorais e a ação junto aos jovens são algo muito marcante em nossa trajetória”, conclui Anderson.

Hoje, a ComPaz se divide por fraternidades. Há membros em São Sebastião de Lagoa de Roça, na sede. Outros estão em Lagoa Seca e Campina Grande, e também há um casal que mora em Petrolina.