No dia 31 de março, o Papa Francisco autorizou o decreto que torna venerável o Pe. José Antônio Maria Ibiapina. Brasileiro, natural de Sobral (CE), José Antônio, hoje venerável, nasceu em 5 de agosto de 1806. Ingressou no seminário de Olinda (PE) em 1823, onde permaneceu apenas três meses devido à morte prematura de sua mãe. Quando eclodiram os movimentos de independência em 1824, seu pai e seu irmão foram presos; o primeiro, executado, e o segundo, condenado ao exílio. José, então, dedicou-se aos estudos jurídicos para poder exercer uma profissão e sustentar as irmãs. Após se formar em Direito, tornou-se professor e depois magistrado e delegado de polícia de Quixeramobim (CE). Em 2 de maio de 1834, foi eleito para o Parlamento Nacional e lhe foi confiada a presidência da Comissão de Justiça Criminal. Em 1835, ele apresentou um projeto de lei para impedir o desembarque de escravos vindos da África em território brasileiro. Porém, como suas tentativas de melhorar o sistema judiciário não tiveram sucesso, ele renunciou ao cargo de juiz e, uma vez encerrado seu mandato, não renovou sua candidatura ao Parlamento e mudou-se para Recife a fim de exercer a advocacia ao lado dos mais pobres.
Em 1850, abandonou sua carreira jurídica, retirou-se para a solidão e voltou a cultivar sua vocação inicial, e, em 1853, foi ordenado sacerdote. Foram-lhe confiadas várias tarefas na diocese da Paraíba (hoje João Pessoa) e, durante a epidemia de cólera, entregou-se sem reservas, tanto que o povo o chamava de “peregrino da caridade”. Fundou várias casas de acolhimento e assistência à saúde, educação cultural e moral, formação religiosa e profissionalizante nas regiões da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Ele também organizou missões populares e fez construir igrejas, capelas, hospitais e orfanatos. Ao final de 1875, ele foi acometido por uma paralisia progressiva dos membros inferiores e foi obrigado a se locomover em cadeira de rodas. Tendo piorado irreversivelmente, faleceu em 19 de fevereiro de 1883. Foi reconhecido como venerável por sua existência exemplar, por ter vivido uma fé intensa, alimentada pela oração constante e pela Eucaristia, e evidenciada por sua constante confiança em Deus e em sua Providência em cada escolha de vida. A fama de santidade que o acompanhou durante sua vida continuou após sua morte, acompanhada de testemunhos de graças.